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26.12.09

26 de Dezembro de 2009 - O melhor de África

Fins de ano, balanços, o melhor disto e daquilo a bem de compras natalícias esclarecidas... Nesta emissão, José Reis e João Torgal passam em revista sem qualquer ordem em especial alguma da música africana editada ou reeditada que marcou a produção world de 2009.

Gnonnas Pedro et ses Dadjes
- La musica en verité - Legends of Benin
Sir Victor Uwaifo & his Melody Maestros - Akayan ekassa - Nigeria 70
Tinariwen - Lulla - Imidiwan
Group Doueh - Tazit Kalifa - Treeg Salaam
Oumou Sangaré - Seya - Seya
Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba - Musow. For our women - I Speak Fula
Vieux Farka Touré - Mali - Fondo
Justin Adams & Juldeh Camarah - Kele kele (No passport no visa) - Tell No Lies
Group Bombino - Imuhar - Guitars from Agadez Vol. 2
Tony Allen - Ijo - Secret Agent
Staff Benda Bilili - Moziki - Très Très Fort

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13.12.09

13 Dezembro 2009

Afroganic feat. Malaika - Yani
Explorer Series Africa - Dzil Duet (Accra)
Gabo Brown & Orchestre Poly-Rythmo - It's a Vanity
Aao Twist - Kazi Aniruddha
Tenor Saw - Pumpkin Belly
Voices of Darkness - Mota Ginya
Lafayette Afro-Rock Band - Congo
Amadou & Mariam - Africa
Atongo Zimba - Nyuure



Staff Benda Bilili - Sala Mosala
Staff Benda Bilili - Moziki

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12.12.09

emissão de 12 de Dezembro de 2009

Gnonnas Pedro et ses Dadjes - Dadje von o non - Legends of Benin
Honoré Avolonto et Orchestre Poly-Rythmo - Tin lin non - Legends of Benin
Omar Souleyman - La sidounak sayyada - Dabke 2020
Bellemou & Benfissa - Li maandouche l'auto - 1970's Algerian Proto-Raï Underground
Group Bombino - Boghassa - Guitars from Agadez Vol. 2
Tinariwen - Imidiwan afrik tendam - Imidiwan/Companions
Justin Adams & Juldeh Camarah - Sahara - Tell no Lies
Keletigui et ses Tambourinis - Sabougnouma - The Syliphone Years
Mercury Dance Band - Kai wawa - Ghana Special: Modern Highlife, Afro Sounds, Ghanaian Blues 1968-1981
Christy Azuma & Uppers International - Din ya sugri - Ghana Special
Kim Sun - The man who must leave - Psych Funk 101

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6.12.09

Alèmu Aga!



17 Dez: 22h, Maria Matos, Lisboa (produção Filho Único)
18 Dez: 22h, Culturgest, Porto

Aga é um dos grandes mestres da bègèna, um instrumento que se aproxima da família das liras e das harpas. Crê-se que teve origem na Etiópia, na época do Rei David, há cerca de três mil anos. É um instrumento conotado com o meio real e aristocrático, pelo facto de vários membros da família real etíope o terem tocado. Sofreu uma democratização no seu uso e tradição em épocas mais recentes.

Alèmu Aga tem uma história de vida peculiar. Estudou geografia na Universidade de Adis Abeba e chegou a ser professor de geografia na escola de música Yared, onde também ensinou bègèna, instrumento em que mais tarde se especializou. Em 1972, gravou o seu primeiro registo para uma colectânea da UNESCO. A sua música e crenças sofreram um grande revés quando a junta militar Derg subiu ao poder na Etiópia e pôs em pratica políticas anti religiosas que baniram a bègèna das rádios nacionais e proibiram o ensino do instrumento. Depois disso, Alèmu desistiu de tocar e abriu uma loja de souvenirs em Adis Abeba. Durante algum tempo, tocou apenas para amigos em círculos fechados, mas com o colapso do regime Derg, voltou a tocar em publico.

A harpa de Alèmu Aga tem ritmos lentos e quentes . As vocalizações são quase silenciosas, acompanhadas de forma precisa pela harpa. É um som único. A bègèna é quase exclusivamente utilizada em rezas (mesmo que não em espaços ou ocasiões de âmbito religioso, onde não existe esse hábito), como música de meditação, sempre num registo puramente solista e nunca se mistura com outra instrumentação.

Ethiopiques, Vol. 11: Alemu Aga, The Harp Of King David


É um disco constituído por canções religiosas da igreja ortodoxa etíope, populares entre as comunidades aramaicas - que falam aramaico, uma língua semita composta pela fusão de línguas de vários povos, entre os quais os povos judeus e árabes. A comunidade aramaica ocupa a parte norte da Etiópia e utiliza estas composições religiosas durante reuniões familiares, cerimónias associadas ao café e outro tipo de cerimónias .. a função da música é manter o espírito religioso vivo durante o período de tempo que antecede a Páscoa. O disco pode ser uma óptima experiência para quem não conhece a igreja ortodoxa Etíope e as suas tradições espirituais.É uma experiência totalmente diferente, esta de ouvir um disco único da série Ethiopiques, que nada tem que ver com discos com enorme influência ocidental, como os discos dos autores da série que ficaram mais conhecidos.

Ethiopiques, Vol. 11: The Harp Of King David esteve em destaque na emissão de 6 de Dezembro do Artesanato Sonoro. Depois de muitos dos artistas da colecção Ethiopiques já terem sido destacados - Alemayehu Eshete, Mahmoud Ahmed, Tlehoun Gessesse e Mulatu Astatke - chegou a vez de Alèmu Aga!

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29.11.09

29 Novembro 2009

Jimi Tenor & Tony Allen - Sinuhe
Jimi Tenor & Tony Allen - Selfish Gene
Mulatu Astatke & The Heliocentrics - Masengo
Mulatu Astatke & The Heliocentrics - Cha Cha
Menahan Street Band
- The Contender
The Lions - Jungle Struttin'
Lafayette Afro-Rock Band - Soul Makossa



Orchestre National de Jazz & Robert Wyatt - Rangers in the Night
Orchestre National de Jazz & Rokia Traoré - Alifib
S. Paulo Underground - Barulho de Ponteiro 1
Flat Earth Society
- Rearm, Get That Char!

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28.11.09

28 de Novembro de 2009 - Destaque a "Músicas do Mundo - Estado da Arte"


"Músicas do Mundo - Estado da Arte", de José Braga, é uma pequena enciclopédia, ou nas palavras do autor, uma pequena manta de retalhos sobre as músicas que se vão fazendo fora da esfera anglo-saxónica por esse mundo fora.
Por ocasião do lançamento deste livro, que teve lugar esta semana no TAGV, Artesanato Sonoro passa uma hora saltitando por cinco grandes áreas musicais - Europa, África, Américas, Oceânia, Ásia - com a sábia orientação de José Braga. Uma hora de música e conversa à volta do mundo.

Sacasas (Cuba) - Rumba negra - Springs of Time
Jonuzi Me Shoket (Albânia) - Vome kabà - Springs of Time
Stella Haskill (Grécia) - Me tis polis ta stena - Springs of Time
Jean Mpia (Congo) - Tembele - Springs of Time
Dr. Chief Sikiru Ayinde Barrister & Africa's International Music Ambassador (Nigéria) - Refined fuji garbage - Africa Never Stand Still
King Tubby (Jamaica) - The Champion version - K Dub Gone Crazy
Charlie Palmieri All-Stars (Cuba) - Tema de Maria Cervantes - Mr. Bongo Latin Beats Boxset
Kane's Hawaiians (Hawai) - Mokihana - Victrola Favorites
Van Shipley (Índia) - Jan pehechan ho - Bollywood Steel Guitar
Guangzhou Cantonese Opera Troupe (China) - The crow flies back to the forest - Victrola Favourites

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23.11.09

22 de Novembro de 2009

Aperitivos Balcânicos na Danceteria Africana

La Cherga - Trouble Dub
La Cherga - What a wonderfull life
A Hawk and a Hacksaw - The Moom Under Water
A Hawk and a Hacksaw - A Black and a White Rainbow
NOMO - Last Beat
NOMO - Rings
Fela Kuti - Unnecessary Begging



Peter King - Afrikan Dialects
Jimi Tenor & Kabu Kabu - Global Party
BLK JKS - Molalatladi
The Voices of Darkness - Mota Ginya

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22.11.09

Emissão de 21 de Novembro

Com eventuais origens medievais, na cítula e, posteriormente, na cítara, trata-se de um instrumento de 12 cordas, com um som muito muito especial. Dotada de uma portugalidade inequívoca, nomeadamente de um certo espírito de saudade e de melancolia, mas infelizmente demasiado rotulada como próxima de um certo fatalismo e de um saudosismo primário bem portugueses, esta guitarra tem diversas vertentes, com destaque para a de Coimbra, com um formato e uma afinação diferentes das demais.

Seja no trinado mágico da família Paredes, na presência por excelência na canção de Coimbra e no fado ou nas recriações, derivações e fusões modernas com outros sons, este instrumento é parte fundamental do património, da identidade e da cultura nacionais. Fala-se naturalmente da GUITARRA PORTUGUESA


Alinhamento:

1. Carlos Paredes – Variações em Ré Maior (Guitarra Portuguesa, 1967);
2. Luísa Amaro – Egiptânia (Meditherranios, 2009);
3. Luísa Amaro – Jogral (Meditherranioss, 2009);
4. Luísa Amaro – Kalipha (Meditherranios, 2009);
5. Cordis – Caminhos (percurso de vida) (Cordis, 2007);
6. Trilhos – Celta I (Avariação, 2009);
7. Trilhos –Trilhos da Guitarra Portuguesa (Avariação, 2009);
8. Trilhos – Viagem pelos Trilhos (Avariação, 2009);
9. Laia Abater (Viva Jesus e Mais Alguém, 2009);
10. M-Pex – Melodia da Saudade (Phado, 2007);
11. A Naifa Fé (3 Dias Antes de a Maré Encher, 2006);
12. Amália Rodrigues – Gaivota (Fado Português, 1965);
13. Adriano Correia de Oliveira – Capa Negra Rosa Negra (Trova do Vento que Passa, 1963);

Álbuns em destaque:

LUÍSA AMARO - MEDITHERRANIOS



TRILHOS - AVARIAÇÃO


15.11.09

emissão de 15 de Novembro de 2009

Colheita de 2009, intercalada pelos anos 60-70 vistos do Gana e do Irão.

Justin Adams & Juldeh Camarah
- Keke kele - Tell no Lies
Staff Benda Bilili - Marguerite - Très Très Fort
Tinariwen - Imidiwan afrik tendam - Imidiwan: Companions
Group Bombino - Imouhare - Guitars from Agadez Vol. 2
The Mercury Dance Band - Kai wawa - Ghana Special: Modern Highlife, Afro Sounds, Ghanaian Blues 1968-1981
Christy Azuma & Uppers International - Din Ya Sugri - Ghana Special
The Cutlass Dance Band - Hwe Hwe Mu Yi Mgena - Ghana Special
Kyeremateng Atwede & Kyeremateng Stars - I go die for you - Ghana Special
Penahi - Dance music - Raks Raks Raks: 17 Golden Garaget Psych Nuggets from the Iranian 60s Scene
Moha Jamin - Raks Raks Raks - Raks Raks Raks
Group Sayeed - Mosh va kamah - Raks Raks Raks
Extra Golden - Phantasies of the orient - Thank You Very Quickly
Group Doueh - Tazit Kalifa - Treeg Salaam

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Oumou Sangare, CCB, 14 de Novembro de 2009


Oumou Sangaré é uma das divas e rainhas do wassoulou, estilo musical, cultura e região geográfica da África Ocidental, que engloba parcialmente alguns pedaços do Mali, da Guiné e da Costa do Marfim. Em 1989, com pouco mais de vinte anos, a jovem surpreendeu meio mundo com o seu disco de estreia Moussolou. Duas décadas depois, continua a mostrar atributos de compositora e intérprete de excelência, com o novo Seya, mais um dos grandes álbuns deste ano de 2009.
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Foi este último, 5º de originais (se contabilizarmos a compilação Oumou de 2004, mas que incluía 8 temas nunca anteriormente gravados em disco), que serviu de pretexto para este concerto no CCB, uma produção da Uguru. Numa noite com jogo da selecção e concerto dos Depeche Mode em Lisboa e com preços algo elevados (entre os 18 e os 35 euros), foi um auditório a meio gás que recebeu a grande cantora do Mali. Sem surpresas, grande parte do alinhamento incidiu sobre o novo disco, com óptimas interpretações de temas como "Kounadya", "Sounsoumba" ou "Wele Wele Wintou" (com pedido de acompanhamento vocal do público no refrão, mas de forma sóbria e breve, sem recorrer a técnicas artificiais e de gosto no mínimo duvidoso), num misto de ritmo e espiritualidade. Torna-se impressionante para o espectador a simplicidade e a forma apaixonada com que Oumou se apresenta em palco, quer seja na alma interpretativa com que se dedica aos temas, quer na naturalidade com que encara a postura de duas ou três mulheres da plateia que, conseguindo contornar a segurança do CCB, sobem para palco para dançar e para abraçar a maliana, quer na expressividade com que se dirige ao público. Neste contexto, apesar de eu não dominar a lingua francesa, a forma incisiva e pausada com que Oumou fez passar a sua mensagem, foi suficiente para perceber grande parte do conteúdo do seu discurso, com referências à riqueza cultural do seu Mali natal, à importância do amor e da comunhão entre culturas e raças como contraponto à intolerância, ao facto de África ser muito mais do que a fome e a guerra expostas na comunicação social, ao elogio da beleza, do charme e da energia da mulher africana ou, naturalmente, dado ser Oumou uma reconhecida defensora intransigente dos direitos das mulheres, à importância da igualdade e da complementaridade entre sexos.
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A fechar da melhor forma possível a componente principal deste concerto, tivemos direito a uma versão extensíssima de "Yala", com o público a levantar-se das cadeiras, e a acompanhar com o movimento do corpo e com as palmas o profundo ritmo da música e com direito a apresentação personalizada e prolongada dos elementos que se encontram em palco. Assim sendo, a acompanhar Oumou Sangare temos duas bailarinas e uma banda muito coesa, com um guitarrista, um baixista, um baterista e, em termos de instrumentos tradicionais, um djembé, um kamalen n'goni (tal como a kora, uma harpa com toques tipicamente africanos) ou uma flauta africana com importância significativa na sua música. Pena foi que, ao contrário do que aconteceu com Seun Kuti há cerca de três meses atrás, a acústica e a qualidade de som estivessem longe da perfeição, nomeadamente com uma equalização muito alta dos instrumentos e da própria voz de Oumou, provocando mesmo momentos de alguma estridência, completamente desajustados às naturais simplicidade e espritualidade referidas anteriormente.
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Depois de um muito pedido encore, eis que Oumou e a sua banda voltaram para palco, para nos mostrar o lado mais introspectivo da sua música, através da recuperação de "Djorolen" do disco Worotan de 1996, numa espécie de curioso anti-climax, culminado com a devoção do público através de um caloroso e rendido aplauso de pé, próprio de quem está consciente de ter assistido a um óptimo concerto.

14.11.09

Emissão de 14 de Novembro

Viagem entre o médio e o extremo oriente.

1.Chanteurs Sufi de Sarajevo - Suze Suze
2. Orient Express Moving Shroners - Roumaynish Fantasy
3.Erik Friedlander - Kinyan
4.Mariam Hassan - Shanda
5.Le Trio Joubran - Musar
6.Josef Van Wissem - Prompepticon
7. Messaoud Bellemou - Li Maandouche l'Auto [He, Who Doesn't Own a Car]
8.Huun-Hur-Tu + Angelite - Wave
9.Huun-Hur-Tu - Eshten Charlyy Beye
10.Suar Agung - Jayan Tangis
11.Sevara Narzakan- Yor-Yor

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8.11.09

Africa.cont


O Africa.cont é o recentemente criado centro de promoção da cultura contemporânea africana. Foi neste contexto que, no agradável espaço ao ar livre das Tercenas do Marquês, se realizou em Lisboa, no passado dia 26 de Setembro, esta iniciativa musical, com concertos de três projectos africanos bem distintos

Kora Jazz Trio



Foi ao final da tarde que, já depois do warm-up pelo DJ Rycardo, subiram a placo os Kora Jazz Trio. Constituídos por dois senegaleses e um guineense, este trio junta a sonoridade tradicional imposta pela kora e pelas percussões africanas à linguagem mais clássica, com construção jazzistica, do piano. Mais interessantes nos momentos em que os sons tradicionais se impuseram de modo mais intenso, nomeadamente através da voz e da kora de Djeli Moussa Diawara, do que naqueles em que reinou um certo ambientalismo jazz mais inofensivo, os músicos deram um concerto que, não tendo sido brilhante, foi perfeitamente adequado ao local e à hora em que decorreu.

Mulatu Hastatke & The Heliocentrics



Multau Hastatke é um dos grandes mestres do jazz etíope, cujo trabalho se celebrizou no seu país de origem nos anos 60 e 70, mas em que a aclamação ainternacional só chegou na nesta década, quando Jim Jarmusch recuperou a sua música para o filme Broken Flowers de 2005. Este ano, Mulatu voltou aos lançamentos originais, em parceria com os Heliocentrics, a banda de apoio do mítico DJ Shadow. Trata-se de um álbum de fusão reforçada, isto porque se a música de Mulatu já é uma combinação entre o jazz e pormenores tradicionais africanos, a isto acrescenta-se agora o experimentalismo funk da banda britânica.

Confesso que das primeiras vezes que ouvi a música de Mulatu Astatke, quer a solo, quer com os Heliocentrics, não fiquei desde logo fã. A música que temos aqui está longe de ser simples e imediata e, no meu caso pessoal, a situação agrava-se por eu estar longe de ser fã de jazz. No entanto, é daquele tipo de música que se vai entranhando pouco a pouco, em que a paciência e a audição consistente são fundamentais para se perceber a magia subliminar e a perfeição estética que por aqui se encontra e que resulta em pedaços de verdadeira obra-prima musical.

Ao vivo, quem, como eu, esperava uma transposição para o formato ao vivo mais meditativa e ambiental, enganou-se profundamente. É certo que não temos aqui propriamente música festiva, que se adeque prioritariamente a uma lógica mais dançável, mas a verdade é que o ritmo e a cadência apelam a algum movimento do espectador. É um dos sinais do crescimento da música em palco, onde estão Mulatu e os cerca de dez elementos que compõem os Heliocentrics (percussões, sopros, teclados, baixo, guitarra ou violoncelo), que quer colectivamente, quer através de alguns pormenores individuais, como o profundo virtuosismo saído do vibrafone e das percussões de Mulatu, o psicadelismo dos teclados ou os devaneios experimentais do brutal violoncelista, tornam ainda mais grandiosos temas incríveis como "Cha Cha", "Esketa Dance" ou "Yekermo Sew", rebatizado como "Broken Flowers Suit" para o tal filme de Jarmnusch. Uma palavra para as condições de som: não sendo perfeitas e relevando alguns problemas, merecem ainda assim nota positiva, num espaço tão aberto e dada a necessidade de conjugar tantos instrumentos e sons tão distintos.

Concluindo, se Inspiration Information é aclamadamente um dos discos maiores de 2009, o concerto de Setembro foi também, um mês depois de Seun Kuti, mais um dos grandes concertos do ano em Portugal

Ferro Gaita


Depois da perfeição musical, a explosão festiva da música dos Ferro Gaita tomou definitivamente conta das Tercenas do Marquês. O grupo cabo-verdiano, cujo nome remete para dois instrumentos tradicionais, o ferro, uma estrutura de metal tocada com uma faca, e a gaita, uma espécie de acordeão, pratica uma sonoridade assente no Funaná, estilo tradicional deste país africano, com características muito enérgicas e dançáveis. Como tal, foi sem surpresas que o público aderiu sem limites à música dos Ferro Gaita, apesar de, em termos musicais, faltar algum ecletismo e diversidade e de alguns problemas técnicos que prejudicaram um pouco a qualidade do concerto.

7.11.09

emissão de 7 de Novembro de 2009

Mono Mono - Tire loma da nigbehin - Nigeria 70
Orchestra Baobab - Cabral - Made in Dakar
Oumou Sangaré - Sounsoumba - Seya
Les Amazones de Guinée - Wamato - Wamato
Rokia Traoré - Tounka - Tchamanché
Issa Bagayogo - Filaw - Mali Koura
Tony Allen - Secret Agent - Secret Agent
Group Inerane - Awal September - Guitars from Agadez Vol. 1
Group Bombino - Imouhare - Guitars from Agadez Vol. 2
Sir Victor Uwaifo - Akayan Ekassa - Nigeria 70
Justin Adams & Juldeh Camarah - Achu - Tell no Lies
Tinariwen - Matadjem Yinmixan - Aman Iman
Ali Farka Touré - Chérie - Red & Green

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1.11.09

Emissão 1 de Novembro 2009



Saltinhos por Cá:

Pé na Terra – Balada do Sino (Pé na Terra, 2008)
Quarto Minguante – Duerme Negrito
Brigada Victor Jara – Arriba Monte (Por Sendas Montes e Vales, 2000)
Galandum Galundaina – Chin Glin Din (Modas i Anzonas, 2005)
Gaiteiros de Lisboa – Comprei uma Capa Chilrada (Sátiro, 2006)
Terrakota – Ibori (Húmus Sapiens, 2004)
Kumpania Algazarra – Skabicine (Kumpania Algazarra, 2008)
Diabo a Sete - Valsa da Joana e do João (Parainfernália, 2007)
Mu – Valsa do Mathias (Mundanças, 2005)
Dazkarieh – Meninas Vamos à Murta (Incógnita Alquimia, 2006)
Fausto – O Barco Vai de Saída (Por este Rio Acima, 1982)
Fausto – Navegar, Navegar! (Por este Rio Acima, 1982)

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31.10.09

Emissão de 31 de Outubro - MALI


Os concertos dos malianos Toumani Diabate, no passado dia 3o de Outubro, no Cinema S. Jorge, e de Oumou Sangare, no próximo dia 14 de Novembro, no CCB (ambos em Lisboa) foram o pretexto para a emissão de 31 de Outubro, apenas com música deste país africano. Para além da música de Toumani, a solo e em parceria com Ali Farka Toure, Ketama e Thompson, Ballake Sissoko e Symmetric Orchestra, e de Oumou, rodaram ainda no Artesanato Sonoro Les Ambassadeurs Internationales, Tama e Bassekou Kouyate & Ngoni Ba.

27.10.09

Seun Kuti, CCB, 29 de Agosto

Embora com muito atraso, aqui fica a crónica do concerto de Seun Kuti.



Seun Kuti, CCB - 29 de Agosto


Seun Kuti é filho do lendário Fela Kuti, nome grande da música africana e do afrobeat, uma espécie de fusão entre o funk, o jazz mais irreverente e o poder dos ritmos africanos, resultando em algo absolutamente explosivo, contagiante e extraordinariamente dançável. Seun pode já não ser tão visionário como o pai que, da Nigéria para o Mundo, foi o percursor do género que, em plenos anos 70, revolucionou definitivamente a concepção da música africana, incrementando-a com um groove de natureza mais urbana e com uma uma forte produção que a afastou da sua vertente tradicional mais pura e lo-fi. No entanto, herdou do pai o estatuto de entretainer (nunca vi Fela Kuti ao vivo, mas o seu estatuto performativo de estrela é algo unânime) e a capacidade de fazer música extraordinariamente rica, poderosa e que ganha muito corpo na transposição para o formato concerto.


Foi tudo isto que se pôde observar no concerto ao vivo que Seun Kuti deu no CCB em Agosto, concerto integrado no festival CCB Fora de Si, que, do ponto de vista musical, contou com quatro nomes diferentes da world music. Dado o carácter muito festivo e dançável deste tipo de concertos, foi estranho o facto do concerto ter decorrido num espaço com lugares sentados, limitando um pouco a reacção do espectador e que obrigou muitos a ver o concerto de lado ou na parte de trás do espaço, de forma a poder fazê-lo de pé . Para compensar um pouco este senão, a acústica do espaço mostrou ser óptima, proporcionando um som verdadeiramente irrepreensível, algo bastante complicado, dada a multiplicidade de instrumentos presentes em palco.


A estreia do músico em Portugal tinha ocorrido em 2006 , na 8ª edição do FMM Sines. Na altura, sem originais compostos, o músico baseou o seu espectáculo no repertório do pai e, diz quem viu, incendiou por completo o castelo da vila alentejana. Foi também com uma versão de Fela Kuti que se iniciou o concerto do CCB, no caso uma cover instrumental de "Army Arrangement", estando "apenas" em palco os Egypt 80, big band de apoio de Seun Kuti, onde ainda marcam presença alguns músicos que acompanhavam o seu pai, mas sem o gradioso baterista Tony Allen (embora sem o carisma e a notável noção rítmica deste, o seu substituto mostrou estar à altura dos acontecimentos, como aliás se esperava, dada a habitual valia dos músicos de afrobeat). A partir daí, em termos de temas tocados, tudo terá sido diferente do que se passou em Sines. Isto porque, entretanto, Seun Kuti lançou o seu disco de estreia, o fabuloso Many Things do ano passado, disco em que mostra definitivamente ser muito mais do que o filho de Fela Kuti, mas um músico de corpo e alma, com nome próprio e que interpreta originalmente composições verdadeiramente brilhantes. Ao longo de cerca de hora e meia de concerto o músico atravessou o disco, com a riquza instrumental de temas como "Think Africa" ou "Na Oil" a fazer-se sentir, dado o fortíssimo poder rítmico das percussões, o som explosivo e fundamental dos metais ou a magia dos coros. Pelo meio, houve lugar a discurso de intervenção política, com passagem pela questão do Iraque, pelo cinismo norte-americano, pelas desigualdades sociais e pelos paradoxos da crise económica. Um discurso um pouco disconexo e, por vezes, incompreensível que, ainda assim, acrescentou mensagem ao concerto, antecedendo "Many Things", tema título do disco e mais um momento alto da noite. Já depois do verdadeiro caos e êxtase instalado no palco, com os músicos a correrem de forma desenfreada e em todas as direcções no final da parte principal do concerto, houve direito a um encore, em que "Mosquito Song" transportou grande parte dos espectadores para junto do palco, permitindo que todos sentissem da melhor maneira a profunda vibração dançável do afrobeat e da música de Sean Kuti. No fundo, um verdadeiro ambiente de festa e celebração a fechar da melhor maneira um dos grandes concertos do ano em Portugal.

25.10.09

emissão de 25 de Outubro de 2009

Emissão centrada em duas compilações, Legends of Benin e Raks Raks Raks. Benin e Irão, anos 70, clubes, febre de Sábado à noite, persas cantando Aretha Franklin em inglês... paz à alma de Khomeini, que daria voltas no túmulo se nos ouvira.

Gnonnas Pedro et ses Dadjes - Dadje Von o Von Non - Legends of Benin
Gnonnas Pedro et ses Panchos - Okpo Videa Bossouo - Legends of Benin
Gnonnas Pedro et ses Dadjes - La Musica en Verité - Legends of Benin
Antoine Dougbé - Honton Soukpo Gnon - Legends of Benin
Antoine Dougbé et l'Orchestre Poly-Rythmo - Ya Min Ton Gbo - Legends of Benin
El Rego et ses Commandos - E Nan Mian Nuku - Legends of Benin
Moha Jamin - Sheshwa Hesat Moho Jamin - Raks Raks Raks: 17 Golden Garaget Psych Nuggets from the Iranian 60s Scene
The Flowers - Meekshi Manoo - Raks Raks Raks
Littles - 4x8 Jadeed - Raks Raks Raks
Googosh - Respect - Raks Raks Raks
Shabah - I need somebody to love - Raks Raks Raks
Mulatu Astatke, Belaynesh Wubante & Assegedetch Asfaw - Alemiye - Psych Funk 101
Husnu Ozkartal Orkestrasi - Su Derenin Sulari - Psych Funk 101

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24.10.09

emissão de 24 de Outubro de 2009

Balaké Cissoko & Toumani Diabaté - Kadiatou - New Ancient Strings
Ali Farka Touré & Toumani Diabaté - Hawa Doulo - In the Heart of the Moon
Staff Benda Bilili - Moziki - Très Très Fort
S.E. Rogie - Kpindigbee - Dead Men don't smoke Marijuana
Group Bombino - Erofane tihoussayene - Guitars from Agadez Vol. 2
Etran Finatawa - Aliss - Introducing
Staff Carpenborg & the Electric Corona - All men shall be brothers of Ludwing - Psych Funk 101
Antoine Dougbé - Honton Soukpo Gnon - Legends of Benin
Moha Jamin - Raks raks raks - Raks Raks Raks: 17 Golden Garage Psych Nuggets from the Iranian 60s Scene

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19.10.09

grelha de inverno ruc 2009-2010: regresso ao fim de semana

Com a entrada da nova grelha de RUC para a temporada 2009-2010, o Artesanato Sonoro regressa aos fins de semana com equipa renovada.
Até ao próximo Verão, poderão ouvir músicas do mundo na RUC aos Sábados e Domingos, entre as 18h e as 19h.

13.10.09

emissão de 13 de Outubro de 2009

Deolinda - Movimento perpétuo associativo - Canção ao Lado
Kumpania Algazarra - Gipsy reggae - Kumpania Algazarra
Taraf de Haidouks - Waltz from masquerade -
Kal - Krasnokalipsa - Radio Romanista
Oumou Sangaré - Sounsoumba - Seya
Tony Allen - Secret agent - Secret Agent
Orchestre Poly-Rhythmo de Cotounou - Gbeti mdajro - African Scream Contest
Milo Melo - Vamos anhara - Angola 72-73
Bellemou & Benfissa - Li maandouche l'auto - 1970's Algerian Proto-Raï Underground
Omar Souleyman - La sidounak sayyada - Dabke 2020
Group Doueh - Tazit kalifa - Treeg Salam

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1.10.09

emissão de 1 de Outubro de 2009

Kasai Allstars - Beyond the 7th moon - In the 7th Moon...
Tony Allen - Ijo - Secret Agent
Tony Allen - Swift - Secret Agent
Seun Kuti - African problems - Many Things
Robben Ford - How deep in the blues - Rough Guide to Blues Revival
Irma Thomas - Another man done gone - Rough Guide to Blues Revival
Group Bombino - Imuhar - Guitars from Agazez, Vol. 2
Group Doueh - Beatte Harab - Treeg Salaam
Bellemou & Bonfissa - Li maandouche l'auto - 1970's Algeria Proto Raï Underground
Fanfare Ciocarlia & Kaloome - Que dolor - Rough Guide to Gipsy Music
Taraf de Haïdouks - Waltz from masquerade - Maškaradă

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16.9.09

AFRICA.CONT


Africa.cont! Grandes iniciativas a anteceder a abertura do museu.


Depois de ter apresentado African Screens, um ciclo de cinema africano realizado no São Jorge durante quatro fins-de-semana, levado a cabo em colaboração com a Casa do Mundo de Berlim, o AFRICA.CONT - um projecto de cultura africana contemporânea que terá a sua materialização num centro de artes, apresenta no próximo dia 26 de Setembro um evento com grandes nomes da música africana. O etíope Mulatu Astatke tocará com os Heliocentrics, nas Tercenas do Marquês – Rua das Janelas Verdes nº 37-, num dia de concertos que contará também com a música dos Kora Jazz Trio e com o funaná dos Ferro Gaita. A entrada é gratuita e os lugares limitados. O Artesanato Sonoro fará, brevemente, um destaque ao acontecimento e tentará entrevistar alguns dos artistas que por lá vão passar...

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8.9.09

emissão de 8 de Setembro de 2009

Digressão com poucas palavras pela Nigéria e Benim dos anos 70.

The Sahara All Stars of Jos - Take your soul - Nigeria Disco Funk Special
T-Fire - Will of the people - Nigeria Disco Funk Special
The Hygrades - In the jungle - Nigeria Rock Special
Bola Johnson and his Easy Life Top Beats - Ezuko buzo - Nigeria 70 Lagos Jump
Ofo the Black Company - Eniaro - Nigeria Rock Special
Sir Victor Uwaifo & his Melody Maestros - Akayan ekassa - Nigeria 70
Gaspar Lawal - Kita kita - Nigeria 70
Tony Allen & his African Messengers - No discrimination - Nigeria 70
El Rego et ses Commandos - Feeling you got - Legends of Benin
Antoine Dougbé et l'Orchestre Poly-Rythmo- Ya mi ton gbo - Legends of Benin
Gnonnas Pedro et ses Dadjes - La musica en verité - Legends of Benin

Podcast

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26.8.09

Emissão de 25 de Agosto



CCB fora de Si 2009


A segunda edição do CCB Fora de Si trouxe à cidade de Lisboa propostas muito interessantes, como Susheela Raman, Yungchen Lhamo ou os Etran Finatawa. Trará ainda, no dia 29 de Agosto, Seun Kuti, o filho mais novo do lendário Fela Kuti, que regressa a Portugal para o que promete ser mais um concerto arrasador. A cidade de Lisboa volta a ter grandes festivais de World, depois do desaparecimento do África Fest. Ainda bem! O artesanato Sonoro dedicou uma emissão ao festival.

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16.8.09

Especial Andanças - alteração de horário

Em virtude dos problemas técnicos decorridos na passada 5ª feira na Rádio Universidade de Coimbra, que inviabilizaram a realização do programa "Artesanato Sonoro", a 2ª hora do destaque à edição deste ano do Festival Andanças decorrerá nesta próxima 3ª feira, 18 de Agosto, como habitualmente entre as 18h e as 19h.

11.8.09

Festival Andanças - emissões especiais

Decorreu na passada semana mais uma edição do Festival Andanças, como habitualmente nos Carvalhais, São Pedro do Sul. A equipa do Artesanato Sonoro esteve presente no certame e, como tal, apresenta-vos um rescaldo do festival, com comentários sobre concertos /bailes, entrevistas a grupos musicais ou de dança presentes ou análise ao conceito do Andanças e da sua evolução, numa emissão interactiva, que pretende contar com a opinião de ouvintes.
A não perder hoje (11 de Agosto) e na próxima 5ª (13 de Agosto), entre as 18h e as 19h, duas horas de emissão especialmente dedicadas ao mais importante festival de dança tradicional a realizar no nosso país.

5.8.09

CCB fora de si 2009

Excelentes propostas no Centro Cultural de Belém



Depois de, no ano passado, o Centro Cultural de Belém ter oferecido ao verão lisboeta nomes como Toumani Diabaté e Tinariwen, o CCB fora de si volta a assumir-se - depois do desaparecimento do África Festival - como o principal evento de verão de "músicas do mundo" na cidade de Lisboa. Integrados na programação do CCB fora de si estão quatro concertos que trazem a Portugal grandes nomes do circuito.

Aqui fica o press release que nos foi enviado:


SUSHEELA RAMAN / Índia

1 Ago - 22:00

PRAÇA MUSEU

ENTRADA LIVRE

Inglesa de origem indiana que passou parte da juventude na Austrália, reúne na sua música os vários continentes que formam a sua identidade. Detentora de uma extraordinária voz, é reconhecida pelas suas performances intensas e únicas. Susheela traz ao CCB uma sonoridade única que reúne a inevitável influência da música tradicional indiana com os ritmos folk, jazz, pop e rock. Surpreendente!

http://www.susheelaraman.com


YUNGCHEN LHAMO “AMA” / Tibete

8 Ago - 22:00

PRAÇA MUSEU

ENTRADA LIVRE

Após mais de uma década de surpreendentes performances, aclamação internacional e colaboração com os músicos Sheryl Crow, Michael Stipe ou Annie Lennox, Yungchen Lhamo tornou-se para muitos a voz do Tibete. Nasceu em Lhasa, mas aos 23 anos fugiu da opressão chinesa, atravessando os Himalaias e estabelecendo-se na Índia. Foi na Índia que iniciou a sua carreira musical, recordando as canções tradicionais que aprendera com a mãe e avó. Hoje, reside em Nova Iorque e a sua música reflecte a confluência da pureza e autenticidade da tradição tibetana e da contemporaneidade das sonoridades urbanas do melting pot nova-iorquino.

http://www.yungchenlhamo.com/discography.html


ETRAN FINATAWA / Níger

22 Ago - 22:00

PRAÇA MUSEU

ENTRADA LIVRE

Oriundo do Níger, um dos países mais pobres do mundo, o grupo Etran Finatawa é uma formação de tuaregues e wodaabe, dois povos nómadas com culturas e sonoridades muito diferentes que coabitam nesta região africana. A música dos Etran Finatawa (literalmente “as estrelas da tradição”) combina a riqueza de duas linguagens: tradicionalmente, os wodaabe não utilizam instrumentos e centram-se na voz e ritmos que convidam à dança; por sua vez, os tuaregues sempre recorreram a violinos e tambores para animar as suas músicas e danças. Blues do deserto na sua forma mais pura.

http://www.etranfinatawa.com


SEUN KUTI / Nigéria

29 Ago - 21:00

GRANDE AUDITÓRIO

PREÇO 5€

Filho do lendário Fela Kuti, dirige a banda Egypt 80. Herdou do seu pai a música por ele criada nos anos sessenta, o afro-beat, uma fusão entre o jazz, o funk e os ritmos africanos. As suas canções revelam uma preocupação pelas graves questões políticas e sociais que afectam a África, mas nem por isso perdem a energia e a alegria que caracterizam o afro-beat. Prepare-se para ficar fora de si!

http://www.myspace.com/seunkuti

28.7.09

Reportagem Sines 2009

Sines 2009, 11ª edição


17 de Julho, dia 1 do FMM Sines 2009


Começou-se em Português...



Tudo começou em português, como há uma década e uns pozinhos, quando ainda se estava muito longe de imaginar que o FMM iria trepar as muralhas do castelo em direcção a Porto Covo e que se iria estender a tão generoso número de dias e a um cardápio tão vasto.


O’Questrada

A décima primeira edição do Festival de Sines começou, escrevia-se, em português com os O’Questrada. Melhor ainda, começou com um grupo que nasceu em Portugal - e que por acaso também canta em português - mas que absorve imensas influências de outras paragens. Toda a noite de estreia do festival foi um verdadeiro melting pot de culturas e géneros dispersos de diversas partes do globo, reunidas num só palco.

O público pareceu gostar da caldeirada sónica e apareceu em massa, naquela que foi a noite mais concorrida de sempre do palco de Porto Covo (terão acorrido ao recinto perto de quatro mil almas). Ouve-se guitarra portuguesa, dedilhar de violão, uma contra-bacia (instrumento peculiar aparentemente único e de fabrico próprio), um acordeão. Canta-se em crioulo, francês ou português. Esboçam-se gestos teatrais num palco transformado em algo próximo duma mistura de festa popular dentro de uma tasquinha perdida na montanha. Trocam-se instrumentos, esgrimam-se mímicas em diálogos ensaiados entre músicos que vestem, por momentos, a pele de caricaturas de povo. Brinca-se com originais alheios improváveis em ambientes fadistas. Tudo é estupidamente engraçado e apelativo para o veraneante que, por seu lado, se tenta libertar do pequeno resfriado da Costa Vicentina com suaves movimentos de anca. As pessoas olham-se em volta e parecem felizes. A banda olha para as pessoas e não esconde o deslumbramento.

Estávamos ali para ouvir música e bailar. Acaba-se a apresentação de “TascaBeat: O Sonho Português” com um sorriso nos lábios. Nós e eles.


Rupa & The April Fishes

Seguiram-se os Rupa & The April Fishes da californiana Rupa Marya, filha de pais indianos com adolescência passada em França e que concilia a carreira artística com a de médica. Muito competentes na construção da mescla de referências à canção francesa, tango, música cigana ou folk americana, vieram a Porto Covo para apresentar “Extraordinary Rendition”, o disco de estreia do ano passado onde cantam em inglês, francês, espanhol e hindi. Música bem disposta, que a dada altura carece de um rasgo de génio para que não soe demasiado óbvia e idêntica.


Circo Abusivo

A encerrar a noite o desvario festivo dos italianos Circo Abusivo, que se orgulham de ter a sua sede espiritual em Valtelatija, destino de antigas migrações ciganas entre os lagos e montanhas dos Alpes italianos. Apresentaram o recentemente lançado “Valtellazija Revolucija”, onde participa Eugene Hütz, líder dos Gogol Bordello, que serviu de mote para a mistura de música cigana dos balcãs, klezmer, polka, samba, tarantella, surf-rock, mazurka, jingles publicitários ou genéricos televisivos de entre outras improbabilidades sonoras. Ritmo e loucura pouco contidas em descargas de música nómada para turista apreciar.

Começou, em clima de festa, uma das maratonas festivaleiras mais importantes no que diz respeito às músicas provenientes dos sítios mais recônditos do globo musical.

Texto de Rui Caniço.

18 de Julho, dia 2 do FMM Sines 2009



Victor Démé

Músico da Costa do Marfim, griot e - consequentemente! - portador e divulgador de parte da identidade cultural africana. Não esteve à altura de tantos outros músicos griots que tão bem honram as tradições musicais africanas. Victor não faz música sua... constrói sonoridades que o circuito espera ouvir de um músico africano que se diz griot. Deu um concerto sem chama e mostrou-nos música igual à que já ouvimos tantas e tantas vezes e que nada acrescenta à feita por muitos músicos africanos.

The Ukranians

Banda de culto, das que melhor cruza sonoridades tradicionais com pop dançável. Têm muitos fãs entre os locutores da RU( - há anos atrás, aquando da edição de “Kultura”, tinham um enorme airplay na rádio. Deram um bom espectáculo em Porto Covo, sobretudo a partir de metade do concerto, quando fizeram o público mexer-se mais, depois de terem tocado alguns dos hits mais reconhecíveis. Pena que não tenham chamado ao concerto “Ukrain America”, tema pop quase perfeito, com cheiro a leste e sabor explosivo. Teria incendiado o palco do porto de pesca. Com toda a certeza!

Dele Sosimi Afrobeat Orchestra

Teclista dos Egypt 80 de Fela Kuti e director musical da banda quando o pai do Afrobeat foi preso em 1985, assumiu, anos mais tarde, a liderança musical da banda de Femi Kuti e iniciou a sua carreira como frontman em 1995. Apesar de surpreender em disco, Dele Sosimi não conseguiu mostrar toda a força que o Afrobeat pode ter. Fez demasiadas versões de Fela Kuti - não conseguiu fazer lembrar o mestre, nem conseguiu distanciar-se dele ao ponto de se tornar original. Ao vivo, notou-se, pelos arranjos com metais a menos e teclas a mais, que não se consegue desligar do papel de teclista e encarnar o de líder e vocalista. É estranho ver um teclista a assumir o protagonismo de um concerto de Afrobeat. A verdade é que aconteceu. Em Porto Covo.

Texto de José Bernardo.

22 de Julho, dia 6 do FMM Sines 2009

O dia da Ibéria



O problema de vistos, questão recorrente quando se trata de trazer músicos de outras paragens à Europa - e que já por diversas vezes havia atingido o FMM no passado-, voltou este ano a prejudicar o festival, com a ausência do chinês Mamer. Em virtude da nossa chegada tardia a Sines, também não vimos o projecto Trilhos - Novos Caminhos da Guitarra Portuguesa, curioso trabalho em que o mítico instrumento nacional se cruza com o piano, com o contrabaixo e percussões. Vimos os quatro concertos restantes, dos quais fica aqui a reportagem:

Janita Salomé

Janita é um dos grandes intérpretes portugueses e isso sente-se em palco. A forma mística e cheia de alma como canta é impressionante e torna-o capaz de dar um bom concerto, mesmo quando as condições metereológicas não ajudam (chovia consideravelmente) e o público também não (demasiado barulho e isso sente-se particularmente nos momentos mais intimistas, como no lindíssimo "Ciganos"). Pelo meio da passagem pelo seu último trabalho, O Vinho dos Amantes de 2007, e pela habitual presença do imaginário árabe que o músico tanto aprecia (embora aqui de forma relativamente subtil), houve direito a versões sentidas de Zeca Afonso (Janita é daqueles que muito honra o seu legado quando o reinterpreta) e exuberantes de Jacques Brel, num concerto inquestionavelmente interessante.

Uxía

Contando com uma formação multi-cultural (músicos da Galiza, Portugal, Cabo Verde ou Guiné), a galega Uxía prometia neste FMM um espectáculo de comunhão entre povos, em que coincidissem sons tão diversos como o fado e outro património tradicional português, a música popular galega ou as mornas. Os primeiros temas, em formato jazz ambiental e easy-listening, que tudo uniformiza e corroi, prometiam algo tenebroso. Felizmente, o o prenúncio inicial não se concretizou. Com o incremento de ritmo e genuinidade tradicional, com o aproveitamento correcto da magnífica voz de Uxía e com a presença de convidados importantes, como o guitarrista guineense Manecas Costa ou o português Zeca Medeiros (gigante o dueto com Uxia no tradicional açoreano "Lira"), o concerto acabou por enveredar por caminhos bem recomendáveis. Destaque também para a presença de versões de Zeca Afonso (felizmente, a memória do grande cantor e compositor português permanece bem viva, até do outro lado da Ibéria). Apesar de algum excesso interpretativo em "Senhora do Almortão" (tradicional da Beira Baixa celebrizado pelo músico), o balanço dessas versões é bom, em particular com "Cantigas do Maio" que, mesmo sem o brilhantismo da versão da Brigada Vítor Jara, tomou contornos bastante interessantes. Um concerto marcado por um crescendo de intensidade e/ou emotividade impressionantes, desmentindo de forma clara a sensação de incómodo inicial.

Acetre

Com alguma semelhança com os objectivos de Uxía, o projecto Acetre, da Extremadura, propunha vir ao FMM Sines apresentar um demonstração do profundo contacto e confluência entre as sonoridades tradicionais de Portugal e Espanha. Na prática, foram bem mais longe do que isso, quer em termos de referências geográficas, com passagens instrumentais pela folk britânica (violinos em dose reforçadíssima) e também por elementos do leste europeu, quer em termos do conceito do espectáculo, contribuindo para uma certa perda de identidade. Num concerto pautado por um jogo de harmonias vocais positivamente envolvente e prejudicado por alguns problemas técnicos e por certos momentos rodeados por um ambientalismo futurista de gosto bastante duvidoso, os Acetre deram um espectáculo que, estando longe de ser sensacional, foi pelo menos simples e honesto, o que não deixa de causar alguma simpatia.

L'Enfance Rouge

O título da reportagem deste dia - "O dia da Ibéria" - apenas diz respeito à parte do castelo. Isto porque o concerto que na praia fechou este sexto dia do FMM Sines 2009 dificilmente poderia contrastar mais com o que se havia ouvido anteriormente. Depois do intimismo e da festividade pueril, com contornos ibéricos, eis que nos surge a explosão e a rudeza do rock, puro e duro. Isto porque se no disco deste projecto multinacional (França, Tunísia e Itália) os elementos étnicos (sons de natureza árabe) serão ainda perceptiveis, ao vivo estes aparecem completamente esmagados pela linguagem mais rock. Com o estatuto de frontman a ser dividido entre o vocalista e guitarrista François Cambuzat (com uma voz rouca agressiva, quase gutural) e a vocalista e baixista Chiara Locardi (nos momentos mais agradáveis do concerto), a suposta fusão aparenta ser nesta performance dos L'Enfance Rouge um profundo acto falhado, o que acentua o facto de este ser um concerto algo desfocado da lógica programática de um festival de músicas do mundo, por muito abrangente que este tente ser.

Texto de João Torgal.

23 de Julho, dia 7 do FMM Sines 2009

Sines, 24 de Julho de 2009

Queridos Pais:

Nós por cá tudo bem, como se diria há uns tempos atrás. Por aí ficaríamos não fora ser o nosso mundo já outro. Como já é mesmo outro, nada me impede de vos pôr ao corrente de que como foi o dia de ontem em Sines.

Como já era quinta-feira de Sines havia um sortido interessante de propostas para enriquecer as tardes de vadiagem pela cidade: ele era cinema no Centro de Artes de Sines ou conversa com Chucho Valdés na Escola de Artes de Sines mas...que querem vocês, o Ricardo, a Joana, o José e o Torgal estavam mesmo interessados em fazer uma praia decente e o apelo do mar foi mesmo mais forte. Lá pegamos no carro e procurámos um pedaço de areia dourada entre Sines e Porto Covo. E encontrámos ... mas foi areia de pouca dura. Lá subiu a maré e perdemos o nosso pedaço de areia, só não perdemos mais porque encontramos um senhor muito palavroso, mas mesmo muito palavroso, de seu nome Aleixo dos Santos "O Poeta Destemido", um auto-didacta que assim fintou o analfabetismo. Trocámos a areia pelo dourado de uns chocos fritos e neles nos perdemos por forma a que já não retornamos a Sines a tempo de assistir ao concerto dos Assobio - aquele projecto do César Prata dos Chuchurumel de que vocês me haviam falado. Não assobiámos nem assistimos ao concerto vespertino da Avenida da Praia: "Alô Irmão!" que juntava em palco o Manecas Costa (continua um gingão de primeira, este Guineense!) e o galego Narf. Eu sei Mãe, eu sei que valeria a pena mas, que queres, este ano Sines era só lazer ... e entre a Praia e a Avenida da dita vai pelo menos um banho quente de distância!

Afinal não havia - tal como disseste, querido José - razão nenhuma para temer o primeiro concerto do dia no Castelo. Eu sei que o concerto do pai do rock chinês, no ano anterior, foi uma experiência musical macabra e de má memória, mas este ano olhem que foi bem melhor! Os Hanggai, sexteto liderado por Ilchi, um outrora Punk (ainda um dia me hão de explicar isso do punk-chinês!) deram o concerto da noite! Vestidos com indumentárias tradicionais das estepes chinesas, tocando "morin khuur" (espécie de violino) e "tobshuur" (espécie de alaúde de 2 cordas) e pintalgando as músicas com cantos tuvanos, estes senhores fizeram-me sentir estruturas blues e pradarias imensas. Incrível, mesmo. Por certas músicas apostava que estaria no Castelo de Sines a assistir a um Western de pessoas asseadas e bem educadas. Quem me dera que do Ribatejo brotassem músicas tão honestas na sua vibração e contenção. O José e Torgalito também gostaram muito e até encontramos um sujeito que deveria ser mecânico de cordas vocais, tal foi o empenho técnico com que nos quis explicar o canto de Tuva (não Pai, ele não percebia assim tanto do assunto como o Tio Costa mas era de uma cabotinice apreciável!).

Subiu depois ao palco do Castelo a Big Band de Chucho Valdés, mas confesso-te que não fui arrebatado pela mestria técnica quer de Chucho quer dos músicos que o acompanhavam. Eu sei que o homem trazia 5 grammys na lapela e um passado de muito respeito no chão que pisa, mas eu não ando com muita paciência para jazz virtuoso.Queria mais Cuba. E não a tive até que cantou a mana anafada do Chuchu, a Mayra. Mas aí também tinha optado por me sentar nas bancadas do Castelo, sim, na secção que o pai diz ser da "Segurança Social"...e aí pareceu-me que o concerto fazia finalmente sentido. Foi o concerto ideal para a inteligentcia do Partido Comunista Português. E no fim pareceu-me que nessa perspetiva foi até muito bom.

O que eu queria mesmo era ver Kasaï Allstars, pois dos projectos mirabolantes que vão sendo extraídos ao Congo (agora é República Democrática, não é?) pelo Vincent Kenis da crammed este era o que eu mais queria ver! Tive azar, primeiro fiquei demasiado perto do palco com prejuízo do que ouvia e, recuando uns metros, lá deu para me ir sacudindo e tentar levitar com as guitarras eléctrica, likembés electrificados, balafons, percussão e coreografias que iam sendo trazidas ao palco. Talvez levassse comigo excesso de expectativa pois no fim do concerto fiquei com aquele travo de desencanto que também me ficou em 2005 após o concerto dos Konono n.º 1 pese embora o público tenha apreciado ao ponto de forçar um encore que não estava previsto por constrangimentos de agenda de não percebi bem eu quem. Acho que o melhor não é trazer os Kasaï Allstars à Europa mas sim irmos nós ao Congo vê-los, o que era uma excelente ideia para umas férias em família, não vos parece?

E o triste que fiquei quando o Mário Dias anunciou a banda que ia fechar a noite de quinta-feira no palco da Avenida da Praia! Afinal já não iamos ouvir o Ramiro Musotto & Orchestra Sudaka mas sim o Damily. Pois, também eu não fazia a mínima ideia de quem seria mas lá fui percebendo que era malgaxe, guitarrista e figura de proa do Tsapiky (género musical típico de Madagáscar). Em palco eram 5 pessoas entre tocadores e cantandoras/bailarinas e foi um concerto que não me trespassou, devo confessar.Pareceu-me um concerto muito competente e longo (não queria ser antipático com os senhores...que queres Mãe?! Que diga que me parecia que em palco estava um tipo vestido pela "Cenoura"?), com vários momentos cuja função social era facilmente reconhecida ao ponto de pairar no ar "Sines - Serviço público de auxílio à procriação"....mas não consta que ainda assim, com tal slogan, permitam ao Torgalito candidatar-se à Câmara Municipal! Mas havia muitos sorrisos no ar, lá isso havia, a multidão estava entretida com os seus afazeres e houve mesmo quem se tivesse apaixonado, fosse pelo Tsapiky, fosse pelas bailadeiras, fosse pela barraca de cerveja, fosse pela fêmea adiante ou pelo ar Kumpania Algazarra do chápeu de tantos moços. "A Festa foi bonita pá" como diria o Barroso. Ah, ainda ouvi o DJ Set do Rui Miguel Abreu (agora assina RMA) e do Mr_Mute...gostei muito, tinham razão, o Rui Miguel Abreu tem muito boa música com ele.

Do nascer do sol já nada vos digo, pois como bem sabeis, corre em Sines o rumor de que ele, afinal, não é organizado pelo Festival de Musícas do Mundo de Sines.

Texto de Daniel Marques Pinto.

24 de Julho, dia 8 do FMM Sines 2009

A certeza da imprevisibilidade...



O dia mais imprevisível do festival, não fosse este o dia em que Cyro Baptista subiu ao palco do castelo. Da mais pura das meditações à explosão mediática, passando por revisitações sonoras. Houve de tudo!

Warsaw Village Band

Os Warsaw Village Band regressaram a Sines. Atravessam uma nova fase da sua carreira, durante a qual decidiram compor originais - muito provavelmente vislumbrando a possibilidade de, mais tarde, os darem a ouvir à filha dos principais elementos da banda, Maja e Wojtek. A anterior fase da carreira da banda polaca, que lhes valeu o epíteto de banda de folk de culto, tinha mais força ... uma força especial, vinda das marzukas e polkas que, rearranjadas, tornavam a música dos Warsaw Village Band única. Apesar de ter servido o propósito de concerto de abertura, não deu a conhecer a real valia do trabalho de um grupo que podia ter aproveitado o FMM 2009 para conquistar novos fãs. O concerto de 2004, mais adaptado ao palco do castelo, teve chama, alegria, crescendos e intensos momentos de folk ... o de 2009, nem por isso.

Debashish Battacharya

Um dos grandes nomes do circuito e um dos grandes mestre da slide guitar indiana, único na forma como reescreve composições clássicas indianas para o instrumento, era um dos nomes mais aguardados da edição deste ano. Apresentou-se em palco juntamente com o seu irmão Subhashish, na tabla e com as únicas mulheres indianas a tocar percussões tradicionais “pakhawaj” e “mridangam”, Chitrangana Agle Reshwal e Charu Hariharan. Apresentou um espectáculo baseado nos últimos dois discos que editou - “Calcutta Chronicles” (nomeação para um Grammy em 2009) e “O Shakuntala”.

Aguardavámos, impacientes, para saber como é que um músico medidativo, contemplativo e tecnicamente inquestionável - habituado ao rigor de palcos mais tradicionais - iria adaptar o espectáculo a um palco aberto e grande como o do castelo. Debashish soube fazê-lo da melhor forma, usando diálogos interactivos com o público que explicavam a sua forma de tocar. Destaque-se o à vontade com que reagiu a um imprevisto, quando uma corda da sua slide guitar se partiu, o que fez com que o músico indiano usasse a voz para começar um diálogo com o seu irmão - o que, aliás, fez ao longo de todo o concerto, mas com a guitarra. Destaque ainda para os exclentes planos da realização que focavam, frequentemente, as mãos do indiano e a sua técnica única. O concerto terminou com uma versão de uma música portuguesa cuja melodia reconhecemos, mas não conseguimos identificar. Foi pena!

Cyro Baptista

Cyro Baptista & Beat the Donkey é muito mais do que música. É um grupo de entrenimento multicultural, polifónico, altamente criativo e cujas fronteiras têm tanto de inexistente quanto de falso têm as que foram criadas pelos europeus em África. O concerto, duas horas de humor do mais fino recorte, deliciosamente amplificado pela forma como os músicos, tecnicamente exemplares, o interpretaram, deixou o público em êxtase. De música francesa a heavy metal, de sapateado a ritmos africanos - condensados em músicas contínuas -, ouviu-se de tudo. Um dos melhores concertos do festival, orquestrado por um percussionista genial em todos os sentidos ... até no facto de se levar pouco a sério.

Texto de José Bernardo.

25 de Julho, dia 9 do FMM Sines 2009

O dia do ecletismo e/ou dos caminhos menos navegados.



Dia em que perdemos o blues de James Blood Ulmer (ainda bem que temos a possibilidade de ver o concerto mais tarde, no canal Mezzo) e em que houve a folk metálica de Alamaailman Vasarat, o reggae de Lee “Scratch” Perry e o baile franco-argelino dos Speed Caravan.

Alamaailman Vasarat

A primeira sensação que temos quando estes Martelos finlandeses se nos afiguram em palco é a de que se vai passar ali qualquer coisa maior do que nós, que nos escapará ao controlo. O aspecto da banda é a de uma qualquer banda de goth metal, daquelas que – perdoem-nos os fãs – não conhecemos nem estamos com ganas de conhecer: roupas negras, luzes como trevas, fumos e neblina e primeiros acordes a combinar com este cenário: aproximando-se bem mais do concerto que tivemos o prazer de assistir em 2006, na Avenida da Praia, do que aquilo que viríamos a assistir, atacaram os violoncelos com a violência (a aliteração é proprositada) e o fulgor com que outros atacam guitarras, já que eles as dispensam. Pensámos “para mais do mesmo, não, obrigada” para logo engolirmos as palavras. O som dos Alamaailman Vasarat não está mais brando, nem manso, mas, se antes era primo afastado e emigrante do género, é agora primo directo e orgulhoso da música klezmer e da folk de Leste. Está melhor, dizemos nós, que começámos aterrados, entrámos em transe algures a meio e acabámos encantados e com curiosidade para ouvir o disco deste ano.

Lee “Scratch” Perry


É o pai incontornável do dub e o produtor-estrela de tantos e tantos nomes do género e do reggae. Conhecemo-lo melhor atrás da mesa de mistura do que em nome próprio e sabemos também que tem 73 anos (apesar de Repentance, de 2008, se ter revelado uma bela surpresa, sobretudo na colaboração com Chippendale, baterista noise dos Lightning Bolt). Entra em palco vestido de dourado, bolsa a tiracolo – levará ali a ganza?, tem apontamentos das cores da bandeira da Jamaica e grita por Jah. Sim, este é o Lee Scratch Perry que imaginámos. Até que canta. É nesta interpretação que reside a maior desilusão: Perry é uma sombra daquilo que já foi. É ternurento saber que tem idade para ser nosso avô e que o podemos ainda ver assim com vitalidade; mas é ternurento e chega. O resto parte-nos o coração, mesmo quando regressa a War in a Babylon, canção que nos fez ouvir reggae há muitos, muitos anos. Podemos dançar ainda (a banda que o acompanha é boa), mas olhamos em volta: num Castelo totalmente esgotado, asfixiante e sem espaço para dançar ou circular, toda a gente grita por Jah, toda a gente se diverte. Ficamos a achar que o defeito é nosso. Entretanto rebentou o fogo de artifício, mais pequeno que noutras edições, mas sempre marcante. Lembra-nos sempre que Sines está a acabar, outra vez. Já só faltam 357 dias.

Speed Caravan

Bailámos muito e bebemos uma, duas, três, ..., cervejas, em conversa afiada e circular com amigos e desconhecidos. Sines também é isto, afinal. Para o ano há mais!

Texto de Joana Baptista.

20.7.09

FMM Sines: o maior acontecimento de "World Music" em Portugal.


Décima primeira edição do festival de músicas do mundo de Sines!

Já começou a décima primeira edição do festival de músicas do mundo de Sines, o expoente máximo das músicas do mundo em Portugal. Realiza-se entre 17 e 25 de Julho e promete destacar-se pela qualidade e diversidade dos programas, tal como aconteceu em edições anteriores. Ao charme dos espaços onde se realiza o FMM - sobretudo o palco do castelo - junta-se o espírito único que foi conquistando junto de um público fiel, cheio de vontade de descobrir novas sonoridades.

A Rádio Universidade de Coimbra, que acompanhou o festival como órgão creditado desde as primeiras edições (nos últimos anos pela mão do Artesanato Sonoro), delegou, este ano, o acompanhamento da décima primeira edição em locutores que irão, a título pessoal, recolher e transmitir o máximo de informações possíveis, para que os ouvintes não percam nada do que se irá passar. Publicaremos, neste blog, ao longo dos próximos dias, crónicas diárias e faremos, no final, uma emissão totalmente dedicada à edição de 2009.

19.7.09

Tom de Festa 2009 - reportagem dia 4


Depois do especial do passado sábado (que referenciou também o LX Factory), a equipa do Artesanato Sonoro esteve representada num dos dias da edição deste ano do Tom de Festa. Com o habitual ambiente acolhedor e familiar, com abrangência para todas as idades e diferentes tipos de público, este dia 4 (6ª feira, 17 de Julho) contou em termos musicais com um nome incontornável da música portuguesa, Júlio Pereira (que ao final da tarde tinha estado na apresentação de um curioso mapa etno-musical português), e dois projectos africanos bastante diferentes, Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba e Kasai Masai. Seguem-se as críticas a estes 3 concertos:

Júlio Pereira


Nunca é demais dizer que Júlio Pereira é um brilhante multi-instrumentista. É daqueles músicos para quem o bandolim (e o cavaquinho e a braguesa e...) parecem verdadeiras extensões do seu corpo, tal a cumplicidade existente entre homem e instrumento. Essa é a premissa essencial de cada concerto do músico (juntamente com o humor sarcástico e a interacção com o público, sempre presentes) e comprova-se na apresentação ao vivo dos temas do último disco, Geografias de 2007, um passo em frente rumo à universalidade da música de Júlio Pereira, com passagens por África e pelo Oriente. Pelo caminho, as versões de temas do Zeca Afonso ("Nefretite não tinha papeira", "Senhor Arcanjo" e "O Meu Primo Convexo", com Rolling Stones pelo meio) soam um pouco a passo em falso. Isto porque os arranjos em toadas quase jazzísticas são um pouco discutíveis e porque nesses temas a voz de Sofia Vitória é afinada e melodiosa, mas falta-lhe um rasgo de alma que leve as músicas para outros patamares de excelência. Ao invés, a interpretação do lindíssimo tradicional transmontano "Molinera" surge com uma importante força rítmica, mas preserva todo o seu sentido emocional e desarmante, antecipando um encore celebratório com "Celtibera", a encerrar a portugalidade deste dia do festival.

Bassekou Kouyate & Ngoni Ba


Todos aqueles que têm acompanhado nos últimos tempos as músicas do Mundo, se têm apercebido minimamente da diversidade, qualidade e riqueza musicais que nos tem chegado do Mali. Bassekou Kouyate é mais um óptimo exemplo dessa realidade e, depois de colaborar com nomes fortíssimos como Ali Farka Toure, Toumani Diabate e Youssou n'Dour, lançou em 2007 o aclamado e premiado disco "Segu Blue". Foi este disco que serviu de base ao concerto, um verdadeiro misto de espiritualidade e festa africanas, na proporção perfeita. Com os seus companheiros Ngnoni Ba (um quarteto de ngoni) e com a ajuda da sua esposa Amy Sacko, Bassekou mostrou todo o poder que o ngoni (um maravilhoso instrumento de cordas africano) e a percussão africana podem ter quando transpostos para o palco. Para além disso, o músico maliano sabe interagir com o público, incentivando-o a acompanhar corporalmente a parte sonora ou dedicando um tema infantil a uma criança que foi dançar para o palco, tudo em doses certas, sem prejudicar o essencial: a qualidade arrebatadora da música. Para o final, um encore irresistível, que pôs muitos, mas muitos, a dançar à frente do palco de modo frenético, rendidos à magia da música africana. Em suma, um dos grandes concertos em solo luso dos últimos tempos.

Kasai Masai

Depois da força e da magia do ngoni, foi a vez da guitarra, do baixo e do saxofone acompanharem a percussão africana no concerto dos congoleses, radicados em Londres, Kasai Masai. Desde logo se pode dizer que Nickens Nkoso, o frontman da banda, é um entertainer, mas isso, no caso, não é uma virtude. A sua constante interacção com o público e o seu excesso de protagonismo assentes em incentivos do tipo"Say yeah" e outros do género, os seus ensinamentos de coreografias e as suas danças, fazem crer que a componente musical do projecto é monocórdica e pouco válida. Algo que não será de todo verdade, destacando-se alguns momentos rítmicos contagiantes (saídos também do djembé de Nickens) e uma presença interessante de travos de saxofone, a dar um toque afro-cubano que poderia ser mais explorado. No fundo, será possivelmente uma segunda linha da música africana, mas ainda assim bem melhor em disco (Congo de 2008) do que nos mostraram nesta sua pobre performance ao vivo.

15.7.09

Emissão portuguesa de 14 de Julho

Alinhamento:

1. Júlio Pereira – Torre Formosa (Geografias, 2007);
2. Né Ladeiras & Jorge Palma – Atrás dos Tempos (Todo Este Céu, 1997);
3. Brigada Vitor Jara & Cristina Branco – Embalo (Ceia Louca, 2006);
4. A Naifa – Bairro Velho (Canções Subterrâneas, 2004);
5. Mu – Emma Kalisz (Casa Nostra, 2008);
6.
Melech Mechaya – Dança do Desprazer (Budja Ba, 2009);
7. Melech Mechaya – Bulgar de Almada (Budja Ba, 2009);
8. Melech Mechaya – Fado Tantz (Budja Ba, 2009);
9. Kumpania Algazarra – Almighty Love (Kumpania Algazarra, 2008);
10. Dazkarieh – Cantiga das Maias (Lua Imersa, 2009);
11. Assobio – Entrudo (Assobio, 2009);
12. Galandum Galundaina Berdugal (Modas i Anzonas, 2005);
13. Júlio Pereira São Gonçalo de Amarante (Cavaquinho, 1981);

Album de destaque:

MELECH MECHAYA - BUDJA BA

Novo Horário

Com a entrada em cena da Grelha de Verão da RUC, o Artesanato Sonoro abandona os fins-de-semana e passa a fazer-vos companhia durante a semana, ao final da tarde. Assim sendo, a música étnica passa a estar em destaque na RUC às Terças e Quintas-Feiras, das 18h às 19h.

Yann Tiersen


A passagem de Yann Tiersen por Portugal nos dias 4, 5 e 6 de Julho (concertos na Figueira da Foz, em Famalicão e em Lisboa) e a entrevista efectuada ao músico francês serviu de pretexto para metade da emissão de Artesanato Sonoro (2ª hora) deste Domingo, 12 de Julho
Ao longo de uma hora e com a ajuda da Lígia Anjos (Departamento de Informação da RUC), grande fã do músico e que me acompanhou na entrevista realizada, fez-se uma breve restrospectiva da carreira de Yann Tiersen, com passagem pelos mais obscuros primeiros discos, pelas bandas-sonoras incontornáveis, pelas suas diversas colaborações e pelo seu lado mais rock.

Tom de Festa & Lisboa Lx Factory World Music Festival



Já na sua 19ª edição, o Tom de Festa é uma organização do ACERT que se assume como um dos mais antigos Festivais de Músicas do Mundo do país. Realizando-se de 14 a 18 de Julho, a edição de 2009 conta com nomes como Júlio Pereira, Bassekou Kouyaté, Chico César ou Dabet Gnahoré. Parelelamente, decorrem durante os dias do festival manifestações artísticas diversas, do cinema às performances de rua, da literatura ao artesanato. O programa pode ser consultado na íntegra no seguinte endereço:
http://www.acert.pt/tomdefesta09/

O I World Music Festival LX’09, terá lugar no (re)qualificado espaço LX Factory, Alcântara. Apresentado pela livraria Ler Devagar, conjuga-se articuladamente com o Tom de Festa – Festival de Músicas do Mundo e partilha a maior parte dos artistas. Conta com produção executiva da CEPiA, de Évora. O programa pode ser consultado na íntegra no endereço:

http://www.myspace.com/worldmusicfestivallx

Estes festivais foram o mote para a emissão especial de 11 de Julho, que contou ainda com a entrevista a Miguel Torres, membro da organização do Tom de Festa.

9.7.09

Emissão de 4 de Julho


Festim

O festim, novo festival intermunicipal, estrutura-se numa programação em rede entre municípios vizinhos (Águeda, Sever do Vouga, Estarreja e Ovar são os pioneiros, para um projecto a 4 anos, a que se juntam mais três municípios nesta edição de 2009). O festim 2009 conta com a presença de Kepa Junkera (País Basco), Manecas Costa (Guiné-Bissau), Le Vent du Nord (Canadá), Musafir – Gypsies of Rajasthan (Índia), Amsterdam Klezmer Band (Holanda) e Antonio Rivas & sus Vallenatos (Colômbia), num cartaz de reconhecido mérito. O Artesanato Sonoro fez um merecido destaque ao festival e aos artistas que por lá passaram (e que ainda vão passar...).

30.6.09

Festival MED Loulé 2009

Festival MED Loulé 2009

A sexta edição do festival MED de Loulé decorreu entre 24 e 28 de Junho. O Artesanato Sonoro cobriu o evento nos dias 26,27 e 28. Num festival que tem crescido de ano para ano, os cabeças-de-cartaz actuaram nos palcos da Cerca e da Matriz, os dois principais - num total de seis. Destaque para a presença de nomes como Orquestra Buena Vista Social Club , Kimmo Pohjonen, Justin Adams&Juldeh Camara, La Notte Della Taranta feat. Stewart Copeland e Rokia Traoré.
Realce para o facto dos dias do festival terminarem relativamente cedo (as últimas actuações terminaram cerca das 2 da manhã na Sexta e no Domingo, um pouco mais tarde no Sábado) e para a ausência de grandes momentos mortos, existindo mesmo vários concertos a decorrerem em simultâneo. Se por um lado garante um leque forte de alternativas diversas ao espectador, por outro obriga-nos a fazer algumas escolhas discutíveis, abdicando de alguns concertos (casos de DJ Click, Mutenrohi ou Filipa Pais) e/ou a não desfrutar convenientemente de outros (Hristov, Pitingo, Camané ou Lura). São as vicissitudes de uma vasta oferta, mas, em todo o caso, é algo que poderia eventualmente ser melhor articulado no futuro.
Por outro lado, para quem pela primeira vez se desloca ao festival, é uma grande surpresa o tipo de local em que se realiza o certame: em vez de um recinto destinado a concertos ou preparado propositadamente para o festival, o espectador depara-se com um espaço situado no coração da cidade de Loulé, enquadrado em pleno centro histórico e contendo as suas ruas típicas, com uma dimensão grande e rústica, onde cabem 6 palcos musicais, bares e restauração diversa, com condimentos de diferentes paragens geográficas, espaços para os mais novos ou comércio de cariz tradicional. Concluíndo, um espaço acolhedor e ideal para receber um festival deste tipo e que contou nas noites que presenciámos com milhares de espectadores (6 ou 7 mil, pelos números que se foram ouvindo), o que mostra bem o crescente entusiasmo que as músicas do Mundo têm gerado em Portugal, algo que naturalmente nos deixa bastante satisfeitos.

Sexta-feira,26


Hristov

Este trio, com secção instrumental a cargo de clarinete, acordeão e bateria, foi seguramente uma das boas surpresas deste MED. Com uma sonoridade bastante dançável, assente na paixão pela música klezmer e do leste europeu, os Hristov contagiaram o pouco público presente. Pena foi que, em função da proximidade do concerto da Orquestra Buena Vista Social Club, não tivéssemos assistido ao concerto na íntegra. Em todo o caso, fica a curiosidade em conhecer melhor este projecto búlgaro.

Orquestra do Buena Vista Social Club

Era seguramente um dos concertos mais aguardados da noite e de todo o festival e, para quem não está muito familiarizado com os ritmos cubanos, terá saído porventura maravilhado com o poder mágico de estilos como a rumba ou a salsa. Para nós, que conhecemos o trabalho notável que Ry Cooder impulsionou com os Buena Vista e alguma obra de elementos como Ibrahim Ferrer, Compay Segundo ou Ruben Gonzales , soube a pouco. Com uma formação naturalmente desfalcada (grande parte dos membros já faleceram), com uns arranjos demasiado extravagantes e com um jovem vocalista com um protagonismo excessivo, na forma de um questionável enternainer, só não foi uma grande decepção, porque a nossa expectativa, em função da realidade actual do projecto, já era relativamente reduzida. Valeu o facto de ver ao vivo Guajiro Mirabal e, essencialmente, o grande Barbarito Torres, que deu brilho a uma morna actuação.

Pitingo

Pitingo é um jovem espanhol, nascido em Huelva e que decidiu misturar a linguagem tradicional do flamengo, com o soul ou o r'n'b. Com contornos claramente pop, a sua fusão enquadra-se na lógica mais easy listening do panorama world music, resultando num som de qualidade pouco consensual. Num concerto com alguns problemas técnicos, a proliferação de propostas musicais e de sabores gastronómicos diversos no recinto, im pediu-nos de ver grande parte do concerto e de ter uma opinião mais fundamentada.

Sábado,27


Siba e a Fuloresta

Foi, para nós, o concerto revelação do festival. Não tínhamos visto Siba a actuar na última edição do FMM de Sines. Desta vez, chegámos a tempo de ver o concerto e de perceber que Siba é único no panorama musical brasileiro. Sérgio Veloso, ex elemento de Mestre Ambrósio, foi um dos principais dinamizadores da noite. As suas letras, sempre críticas e cheias de humor, foram magnificamente acompanhadas, por detrás da "fuloresta", pelo espectáculo sonoro e visual dos ritmos dos sopros e das percussões. A modernização do repertório nordestino passa por homens como Siba. Ainda bem...

Camané

Camané é uma das melhores vozes do fado. Acompanhado por músicos virtuosos (o próprio Camané fez questão de o dizer durante o concerto), Camané atraiu muito público ao palco da Matriz e cantou alguns clássicos do imaginário colectivo. Merece toda a projecção que tem.

Lura

Na mesma linhagem de cantoras como Sara Tavares ou Mayra Andrade, Lura é mais uma das novas vozes da música de Ca bo Verde, confluindo na sua música os ritmos tradicionais das suas origens africanas e uma perspectiva profundamente ocidental. No MED, Lura mostrou o lado pop da música cabo-verdiana, num concerto aparentemente interessante e com muito ritmo, mas sem deslumbrar.

Justin Adams&Juldeh Camara

Não é preciso grande sensibilidade musical para perceber que a colaboração entre Justin Adams e Juldeh Camara resulta de uma forma quase perfeita (a aproximação ao blues da guitarra de Justin ajusta-se, na medida exacta, ao som do riti de Juldeh, um instrumento de uma corda feito a partir de uma cabaça). Em concerto - um ano depois de em Sines terem incendiado o palco do Castelo - a colaboração ganhou ainda mais força, provavelmente porque "Tell No Lies" , álbum saído em Maio deste ano, lhes tenha dado ainda mais confiança, tal a quantidade de boas críticas que recebeu. A percussão de Salah Dawson Miller marcou o concerto pela elegância que acrescentou aos ritmos dos principais protagonistas. Salah é uma figura mítica, um misto de um druida e de um sultão casamenteiro. O palco da matriz conheceu o seu momento de glória no momento em que os três músicos o pisaram.

Domingo,28


Eduardo Ramos

Mais do que um músico, Eduardo Ramos é um musicólogo, um investigador que explora caminhos da música medieval, das influências árabes e judias. E é um místico e isso nota-se na forma espiritual que interpreta os temas, na alma que emprega ao alaúde árabe, seguramente um dos poucos portugueses a tocá-lo. Foi, contudo, um cenário pouco apropriado à sua música, o espaço Bica do MED, com as pessoas a jantar perto do palco, música que se adequa claramente melhor a um contexto mais introspectivo e silencioso.

Rokia Traore

Depois de ter dado um dos grandiosos concertos do FMM 2008, a maliana Rokia Traore regressou a um festival português, já depois de ter estado em Lisboa e no Porto em Maio passado. Ainda na calha, trouxe o sue último disco, "Tchamantché" de 2008, servindo de base para mais um excelente concerto. Rokia encheu o palco com a sua grande presença, contou com a colaboração de óptimos músicos e alternou momentos mais intimistas com outros mais explosivos. Destaque para o discurso activista antes de "Tounka", tema que alerta para os perigos da emigração africana, e, claro, para o fabuloso medley final, em que, de um modo irresistivelmente dançável, deu, por exemplo, para apresentar os músicos ou homenagear Fela Kuti ou Mirian Makeba. Brilhante.

Stewart Copeland & La Notte della Taranta

O soundcheck prometia um grande concerto. A combinação entre os sons tradicionais italianos e gregos com o poder da percussão, com Stewart Copeland, ex-baterista dos Police e mentor deste projecto, à cabeça, antevia algo de avassalador. O concerto apenas em parte cumpriu as expectativas do ensaio da tarde. Alternando momentos muito interessantes e cheios de ritmo (destaque, já na parte final, para um tema brutal, só com percussão e harmonias vocais), com arranjos de gosto duvidoso, o colectivo teve uma performance prejudicada por questões técnicas que ignoraram alguns instrumentos (o acordeão, por exemplo, era praticamente inaudível) e também, em alguns momentos, pelo excesso de elementos e de sons em palco, criando alguma sensação de caos.

Kimmo Pohjonen

Este grande senhor finlandês é capaz de combinar as tonalidades tão próprias do seu acordeão com sons muito distintos. No currículo de Kimmo estão já presentes as fusões com as programações electrónicas de Samuli Kosminen, com o som mais explosivo e mais rock de Pat Mastelotto e Trey Gunn dos King Crimson (KTU) ou com o som mais harmonioso das cordas dos Kronos Quartet ("Uniko"). Embora sem a presença deste colectivo norte-americano, foi este último espectáculo que Kimmo apresentou em Loulé, igualmente com um quarteto de cordas constituído por três violinos e um violoncelo. Com um som mais hipnótico do que propriamente doce ou cândido, o carácter mais melódico das cordas juntou-se ao habitual imaginário visceral que o finlandês consegue retirar do seu acordeão, às suas breves vocalizações quase tribais e à presença frequente da electrónica, num resultado final verdadeiramente arrebatador. Concerto perfeito para fechar da melhor maneira o MED, com o público totalmente rendido à magia musical vinda do palco.

Textos de João Torgal e José Bernardo

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27.6.09

emissão de 27 de Junho de 2009

Início em epitáfio à passagem da editora Sublime Frequencies por Portugal, seguido de destaque ao Festival Med Loulé 2009, com direito a reportagem telefónica. Final nos sempiternos anos 70 africanos.

Haba Haba Group - Sitogol #1 - Folk and Pop Sounds of Syria
Omar Souleyman - Lansob sherek - Dabke 2020
Group Doueh - Tazit kalifa - Treeg Salam
Justin Adams & Juldeh Camarah - Naafigi - Soul Science
Danae - Tchuba

--- Reportagem Festival Med Loulé ---

KTU - Bloody clown
Ofege - Adieu - Nigeria Rock Special
Ify Jerry Krusade - Everybody likes something new - Nigeria 70 Lagos Jump
Dr. Nico - Tu m'as deçu chouchou - Congo 70 Rumba Rock
Picoby Band d'Abomey - Mi Ma Kpe Dji - African Scream Contest
Maitre Gazonga - Kelina - Les Jaloux Sabouteurs

Podcast

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20.6.09

Festival MED Loulé


Neste Domingo, realiza-se mais uma emissão especial de Artesanato Sonoro, desta feita dedicada ao MED, festival do Mediterrâneo. A partir das 17h e durante as duas horas seguintes, a emissão será quase exclusivamente dedicada à antevisão da VI edição deste festival de música étnica, que se realiza, como habitualmente, em Loulé.

Sublime Frequencies na Gulbenkian

É já este Domingo, 21 de Junho, que a Tour da editora americana Sublime Frequencies passa por Lisboa. A partir das 19h, entram em cena os DJ's Mark Gergis e Alan Bishop, seguidos da projecção do filme Palace of the Winds de Hisham Mayet.

Depois, temos o primeiro concerto do dia, com os sons tuaregues do Sahara Ocidental, da Mauritânia, a cargo do Group Doueh.

A finalizar a noite, temos a presença do nome mais forte da editora, o sírio Omar Souleyman, com a fusão de diversos sons do Médio Oriente e da cultura árabe com ritmos electrónicos verdadeiramente explosivos.



Assim sendo, o Artesaanto Sonoro não deixou passar em claro esta ocasião e dedicou neste Sábado, 19 de Junho, uma emissão especial dedicada a este espectáculo, com banda sonora exclusivamente da autoria do Group Dueh e de Omar Souleyman

7.6.09

emissão de 7 de Junho de 2009

Entre África, Europa e médio Oriente. Pelo meio, estreia de crónica sobre Cabo Verde, a prosseguir nas próximas emissões.

Justin Adams & Juldeh Camarah
- Sanakubay - Soul Science
Group Bombino - Kamoutalia - Guitars from Agadez Vol. 2
Group Inerane - Nodan al kazawnin - Guitars from Agadez Vol. 1
Issa Bagayogo - Filaw - Mali Koura
Rokia Traoré - Tounka - Tchamanché
KAL - Krasnokalipsa - Radio Romanista
La Cherga - Fake no more - Fake no More
Oana Cătălina Chiţu - Sub balcon eu ţi-am cântat o serenadă - Bucharest Tango

Crónica sobre música de Cabo Verde de Emília Salta

Melech Mechaya - Dança do desprazer - Budja Ba
Omar Souleyman - Lansob Sherek - Dabke 2020 (Folk and Pop Sounds of Syria)
Group Doueh - Tirara - Guitar Music from the Western Sahara

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2.6.09

BalhaRUCo - 1º Baile RUC

BalhaRUCo – 1º Baile RUC
Local: Centro Norton de Matos;
Data: Sábado, 6 de Junho, 22h
Preço: 5 euros (inclui o workshop de dança), com desconto de 1 euro para sócios e estagiários da RUC



A procura de convívios, concertos, workshops e bailes de danças de tradição musical europeia, um conceito com raiz no muito bem sucedido festival “Andanças”, tem registado um crescimento exponencial a nível nacional, começando Coimbra a despertar sensibilidades para esta nova tendência.

Assim, numa co-produção Rádio Universidade de Coimbra, Colectivo Rodobalho e Centro Norton de Matos, o BalhaRUCo será um evento com uma dinâmica peculiar, aliando ao concerto tradicional o ensino da dança, transformando os espectáculos previstos numa experiência inovadora, na qual a interactividade entre o público e os músicos estará bem presente.

Marcado para as 22h de Sábado, dia 6 de Junho, o Centro Norton de Matos abre as suas portas para este BalhaRUCo, que contará com a presença de dois grupos reconhecidos, meritoriamente, com o primeiro lugar na eliminatória Portuguesa do Eurofolk - Concurso Europeu de bandas Folk.

Sobem então a este palco Coimbrão os Diabo a Sete e os Pé na Terra, precedidos por um workshop de iniciação às danças europeias. Ambos os grupos pertencem a uma nova geração de músicos que percorreram já um longo e activo caminho no trabalho de reinvenção de invulgares harmonizações, e instrumentações de reportórios cuja génese está ligada à rica e diversificada tradição oral europeia.

Os Conimbricenses Diabo a Sete, com espectáculos por vezes míticos e carismáticos, com destaque para as comemorações do 25 de Abril na cidade, têm-se afirmado como uma das propostas mais interessantes do tradicional /folk português. “Parainfernália”, o seu disco de estreia, foi um dos grandes discos da música nacional de 2007, estando actualmente a banda a preparar o seu sucessor. Alternando originais com versões de temas tradicionais e cruzando de modo requintado instrumentos como a sanfona, a concertina, o cavaquinho ou as gaitas de foles, a que se junta a voz muito peculiar de Julieta Silva, os Diabos criaram um som muito próprio, que tanto pode ser ouvido e apreciado em casa, como servir de pretexto para a dança, como é o caso.

Vindos do Porto, os Pé na Terra surpreenderam os críticos mais exigentes com o seu disco homónimo de 2008, essencialmente constituído por originais, mas a que se acrescentam também reciclagens de dois temas emblemáticos de Zeca Afonso ("Maria Faia" “ e “Balada do Sino”). Com uma forte valorização do seu lado poético, o disco alterna entre uma linhagem tradicional mais simples e uma subversão e modernização muito particular deste estilo e dos instrumentos que o compõem. No entanto, apesar do muito ritmo que preenche o disco, é ao vivo que a sonoridade do grupo aparece mais vincada, com uma força dançável contagiante.

Depois dos concertos, a prolongar o baile pela noite dentro, os Dj’s RUC do colectivo Golpe de Estado prometem surpreender-nos com as suas sonoridades étnicas.

Da aliança de todos estes factores espera-se este Sábado um inesquecível baile folk!

31.5.09

Emissão de 31 de Maio.


V edição do festival de Mértola


Apesar da chuva intensa que se fez sentir - nomeadamente no Sábado e no Domingo, durante a cerimónia de encerramento, o festival de Mértola provou ser especial pela atmosfera. Cumpriu, na íntegra, o papel de dar a conhecer melhor uma cultura à qual a maior parte das pessoas só tem acesso através da imprensa. Destaque especial para sexta-feira e para dois espectáculos memoráveis - o da orquestra feminina de Tetuan e o dos Gnawa Baraka, já madrugada dentro.

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16.5.09

emissão de 16 de Maio de 2009

Arranque no Brasil, passagem por África dos anos 70 e chegada ao blues do deserto.

Meirelles
- No baixo do sapateiro - The Brazilian Funk Experience
Sir Shiina Peters & his International Stars - Yabis - Nigeria 70: Lagos Jump
T-Fire - Will of the people - Nigeria Disco Funk Special
Mono Mono - Kenimania - Nigeria Rock Special
Napo de Mi Amor et ses Black Devils - Leki santhi - African Scream Contest
Seun Kuti - Think Africa - Many Things
Group Doueh - Eid El Arsh - Guitar Music from the Western Sahara
Omar Souleyman - Alkhatiba zaffouha - Highway to Hassake
Group Bombino - Imuhar - Guitars from Agadez, Vol. 2
Tinariwen - Mano Dayak - Aman Iman

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26.4.09

Emissão de 26 de Abril.


Gaiteiros de Lisboa+Brigada Victor Jara


Destaque, com entrevistas, a dois dos projectos portuguesas mais importantes do panorama da música tradicional, a propósito da vinda das duas bandas a Coimbra - a Brigada Victor Jara passou pela Praça da Canção, no dia 25 de Abril e os Gaiteiros de Lisboa pela Oficina Municipal do Teatro, no dia 30.

25.4.09

Emissão de 25 de Abril

Zeca!


Deve celebrar-se cada vez com mais força, para que não tenha de se repetir...

Playlist:

De "Os vampiros"

Canção do Vai... e Vem
Menino do Bairro Negro

De "Cantares do Andarilho"

Saudadinha
Cantares do Andarilho

De "Contos velhos, rumos novos"

Qualquer Dia
Era de Noite e Levaram

De "Traz outro amigo também"

Verdes são os campos
Carta a Miguel Djéjé

De "Cantigas do Maio"

Cantar Alentejano
Ronda das Mafarricas

De "Eu vou ser como a toupeira"

Fui à beira do mar
Ó Ti Alves
O avô cavernoso

De "Venham mais Cinco"

Era um redondo vocábulo
Adeus ó serra da Lapa

18.4.09

Emissão de 18 de Abril


Joe Mensah - Boscoe
Mahmoud Fadl - Ala Balad El Mahloud
Fanfare Ciocarlia - Ah Ya Bibi
The Gnou Brotherhood of Marrakesh - Sidi Musakar
Stella Chiweshe - Huvhimi
Boubacar Traoré - Mouso Teke Soma Ye
Inyang Henshaw - Esonta
Ry-Co Jazz - Marie Jose
Amadou & Mariam - Sarama
Mamady Keita - Mamady Repetition
Orchestra Marrabenta Star de Moçambique - Matilde
Oumou Sangare - Mogo Ti Diya Bee Ya

Por Rui Veiga

13.4.09

emissão de 12 de Abril de 2009


Música tradicional do sul de Itália

Emissão dedicada à música tradicional do sul de Itália, nomeadamente Nápoles, Sardanha e Sicília. Destaque para a música da Calabria e para a que é tocada nas tarantellas.
Numa próxima emissão, completa-se o destaque a música tradicional italiana, com passagens para música do centro e do norte do país.

11.4.09

emissão de 11 de Abril de 2009

África e Balcãs vistas por quem as reinterpreta no presente ou quem as resgata do esquecimento e da poeira de bazares. Da próxima vez levaremos dinheiro vivo connosco!

BLO - Chant to mother Earth - Nigeria Rock Special (Soundway, 2008)
Staff Benda Bilili - Staff Benda Bilili - Très Très Fort (Crammed, 2009)
Oumou Sangaré - Sounsoumba - Seya (World Circuit, 2009)
Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou - Gbeti Mdajro - African Scream Contest (Analog Africa, 2008)
Issa Bagayogo - Filow - Mali Koura (Universal, 2008)
Seun Kuti - Think Africa - Many Things (Tôt ou Tard, 2008)
Kal - Krasnokalipsa - Radio Romanista (Asphalt Tango, 2009)
La Cherga - Muki's Pub - Fake No More (Asphalt Tango, 2008)
Oana Cătălina Chiţu - Sub balcon eu ţi-am cântat o serenadă - Bucharest Tango (Asphalt Tango, 2008)
Rokia Traoré - Tchamantché - Tchamantché (Emarcy, 2008)

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6.4.09

Uxukalhus



Emissão especial de 4 de Abril sobre os Uxukalhus, a propósito do concerto a realizar em Coimbra na próxima 5ª feira, dia 9, no Salão Brazil, pelas 22h. Esta emissão contou com uma interessante entrevista telefónica com Paulo Pereira, flautista da banda, e com o seguinte alinhamento, constituído exclusivamente por temas deste projecto tão irreverente:

1. Passodoble do Azulejo (Revolta dos Badalos, 2006);
2. Tarrumiata do Caldeirão (Transumâncias Groove, 2009);
3. Virose da Dextrose (Transumâncias Groove, 2009);
..................... Entrevista com Paulo Pereira .............................
4. Saia da Carolina (Transumâncias Groove, 2009);
5. Chapelloise do Sardão (Transumâncias Groove, 2009);
6. Saias do Manuel do Rio (Transumâncias Groove, 2009);
7. Horage (Revolta dos Badalos, 2006);
8. Erva Cidreira (Revolta dos Badalos, 2006);

Nota: Só agora fui surpreendido pela notícia da saída de Celina da Piedade dos Uxukalhus. Como tal, em virtude desse meu desconhecimento (a propósito do qual ficam as minhas desculpas aos ouvintes), não foram efectuadas na entrevista duas perguntas que se impunham: "Como têm encarado os Uxukalhus a saída de um dos seus membros mais emblemáticos?" e "Há diferenças significativas na performance ao vivo pela saída da Celina e a entrada de uma nova vocalista: Joana Margaça?". Algo para tirar a limpo na próxima 5ª feira, no Salão Brazil.

28.3.09

Emissão portuguesa de 28 de Março

Alinhamento:

1. Dazkarieh – Água Forte (Hemisférios, 2009);
2. Dazkarieh – Voo Longe (Hemisférios, 2009);
3. Dazkarieh – Sáfaro (Hemisférios, 2009);
4. Danças Ocultas – Outubro (Danças Ocultas, 1995);
5. Realejo – Deus te Salve Ó Rosa (Cenários, 1998);
6. Assobio – Dom Varão (-, 2009);
7. Diabo a Sete – Chin Glin Din (Parainfernália, 2007);
9. Quarto Minguante – Não Se Me Dá Que Vindimem (-, 2007);
10. Barca dos Castiços – Senhora Maria (-, 2007);
11. Pé na Terra – Salpicos (Pé na Terra, 2008);
12. Uxukalhus Círculo Dança Espiral (Parainfernália, 2007);
13. Dazkarieh – Borda d'Água (Hemisférios, 2009);
14. Dazkarieh – Baile da Meia Volta (Hemisférios, 2009);
15. Dazkarieh – A Virgem se Confessou (Hemisférios, 2009);

Album de destaque:

DAZKARIEH - HEMISFÉRIOS


21.3.09

emissão de 21 de março de 2009

De oriente para ocidente, entre o equador e o sul.

Haba Haba Group - Sitogol #1 - Folk and Pop Sounds of Sumatra
Asha Bhosle & Mohammed Rafi - Chura liya hai tum ne - Rough Guide to Bollywood
Alim Qasimov Ensemble - Bah Bah - Rough Guide to Alim Qasimov
Lokonon André & les Volcans - Mi Kple Dogbekpo - African Scream Contest
Picoby Band d'Abomey - Mi ma kpe dji - African Scream Contest
Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou - Gbeti Mdajro - African Scream Contest
T-Fire - Will of the people - Nigeria Disco Funk Special
Sir Shina Peters & his International Stars - Yabis - Nigeria 70 Lagos Jump
Seun Kuti - Think Africa - Many Things
Novos Baianos - Tinindo trincando - Brazil 70
Caetano Gil - Tradição - Tropicália 2

Labels:

8.3.09

emissão de 8 de Março de 2009

Em deambulações por antiguidades e algumas novidades do Oriente e África.

Nusrat Fateh Ali Khan & Party - Kamli Wala Mohammed - Nusrat Fateh Ali Khan & Party (1990)
Sussan Deyhim - Navai - Madman of God
Omar Souleyman - Alkhatiba Zaffouha - Highway to Hassake
Toubab Krewe - Djarabi - Toubab Krewe
Koby Israelite - Zalfiel - Orobas: Book of Angels Vol. 4
Kočani Orkestar - Sokeres - The Ravished Bride
Kasai Allstars - Quick as white - In the 7th Moon...
Balla et ses Balladins - N'na soba - The Syliphone Years
Les Amazones de Guinée - Wamato - Wamato
Ali Farka Touré - Pieter Botha - Niafunké

Labels:

7.3.09

Emissão de 7 de Março de 2009


John Zorn

Destaque para a obra de John Zorn ligada à divulgação da cultura judaica - Masada e Masada 2 : Book of Angels - , a propósito da vinda do músico norte-americano ao JAZZFEST 2009, em Portalegre.

24.2.09

Africa, Mãe Africa


A emissão de 21 de Fevereiro foi exclusivamente aos ritmos africanos, contando com o seguinte alinhamento:

1. Ali Farka Toure & Toumani Diabate – Kadi Kadi (In the Heart of the Moon, 2005);
2. Oliver Mtukudzi – Dai Ndiine Mukoma (
The Rough Guide to the Music of Zimbabwe, 1996);
3. Maitre Gazonga – Les Jaloux Saboteurs (Golden Afrique, vol.1, 2005);

4. Lokonon Andre & Les Volcans Mi Kple Dogbekpo (African Scream Contest...
, 2008);
5. Oumou SangareKoundaya (Seya, 2009);

6. Seun Kuti – Many Things (Many Things, 2008);

7. Orchestra Baobab – Ndeleng Ndeleng (Made in Dakar, 2007);
8. Kasai Allstars – Kafuulu Balu (Congotronics 3, In the 7th Moon..., 2008);

9. Toubab Krewe – Rooster (Toubab, 2005);
10. Carmen Souza – Afrika (Verdade, 2008);

15.2.09

Emissões de 14 e 15 de Fevereiro


Música Judaica.

A 14 e 15 de Fevereiro visitamos musicalmente a riquíssima história da comunidade judaica, não só a partir do isolamento a que muitas vezes foi vetada, mas também a partir da convivência com outras comunidades - que melhor exemplo que a música Klezmer, resultado da partilha de saberes musicais com a comunidade cigana?

14.2.09

Emissão portuguesa de 8 de Fevereiro

Alinhamento:

1. Madredeus – Amanhã (Os Dias de Madredeus, 1988);
2. Maria do Ceo – O Sacristan de Coimbra (-, 2005);
3. Stocholm Lisboa Project – Mentiras (Sol, 2007);
4. Dazkarieh – Caminhos (, 2009);
5. Uxukalhus – Saia da Carolina (Transumâncias Groove, 2009);
6. Uxukalhus – Saias do Manuel do Rio (Transumâncias Groove, 2009);
7. Uxukalhus – Valsa do Bandolim (Transumâncias Groove, 2009);
8. Uxukalhus – Tarrumirata da Caldeirão (Transumâncias Groove, 2009);
9. Chuchurumel – Deus te Salve Ó Rosa (Posta Restante, 2007);
10. Chuchurumel – Cantiga das Maias (Posta Restante, 2007);
11. César Prata – Picadilly (-,2009);
12. Diabo a Sete Para Ti (Parainfernália, 2007);


Album de destaque:

UXUKALHUS - TRANSUMÂNCIAS GROOVE


29.1.09

Emissão portuguesa de 24 de Janeiro de 2009

Alinhamento:

1. Quarto Minguante – Duerme Negrito (-, ?);
2. Brigada Victor Jara – Donde Vas (Danças e Folias, 1995);

3. GEFAC – Cativo (-, ?);

4. Segue-me à Capela – Tu Gitana (Segu
e-me à Capela, 2004);
5. Fausto – Atrás dos Tempos (Madrugada dos Trapeiros, 1977);

6. Júlio Pereira – Colares de Luz (Geografias, 2007);

7. Júlio Pereira & Sara Tavares – Areias de Sal (Geografias, 2007);
8. Dead Combo – Cuba 1970 (Lusitania Playboys, 2008);

9. Dead Combo – Manobras de Maio 08 (Lusitania Playboys, 2008);
10. Dead Combo – Putos a Roubar Maçãs (Lusitania Playboys, 2008);
11. Lufa LufaLift Off Foledad (-, ?);

Homenagem a João Aguardela:
12. Megafone – Ovos Omnes (Megafone3, 2001);

13. A NaifaBairro Velho (Canções Subterrâneas, 2004);

14. A NaifaFé (3 Dias Antes da Maré Encher, 2006);

Morreu no passado domingo, vítima de cancro, o músico João Aguardela, com apenas 39 anos. Com uma carreira em crescendo, começou por se destacar nos Sitiados onde resolveu envolver a música tradicional com uma linguagem rock. O grupo obteve um sucesso assinalável (quem não se lembra do grande exito “Esta vida de marinheiro”?), mas o resultado musical, muito marcado pelos trejeitos de voz do Aguardela e por um produto final com uma certa estrutura cómica, esteve longe de me satisfazer. Mais tarde viria a criar um projecto pessoal chamado Megafone em que aliava, de forma crua, recolhas de raiz da tradição portuguesa com sonoridades electrónicas,diversas. Um projecto curioso e que primava pela tentativa, ainda muito pouco explorada, de fazer chegar a música tradicional a um novo público, através da fusão com linguagens sonoras mais modernas.
No entanto, o brilhantismo maior estaria guardado para o seu mais recente projecto. Depois de criar com Luís Varatojo (Peste & Sida, Despe & Siga) os Linha da Frente (não conheço), responsáveis por musicar grandes poemas da literatura nacional, contando com um leque diverso de intérpretes vocais, esta dupla criativa resolveu prolongar a sua colaboração, fundando A Naifa. Juntamente com a grande voz de Maria Antónia Mendes e com a bateria de Vasco Vaz (entretanto substituído por Paulo Flores), o grupo foi um dos pioneiros na criação do “novo fado”. Assim, pegando numa base fadista, mas juntando-lhe beats electrónicos, linhas de baixo pulsantes (a cargo de Aguardela), alguma percussão e uma sensibilidade pop deliciosa, o grupo lançou 3 grandes discos, o último dos quais, Uma Inocente Inclinação para o Mal de 2008, foi um dos grandes lançamentos do ano passado.


Disco em destaque (imperdoável o facto de só agora ser destacado neste programa):

Dead Combo - Lusitania Playboys


28.1.09

Emissão de 18 de Janeiro


Festival de música sagrada de Fez, parte 2

O festival de música sagrada de Fez (Festival de Fès des musiques sacrèes du monde) reúne artistas de todos os cantos do planeta que se juntam para interpretar música religiosa. Representa o espírito do islamismo tolerante, pacífico, plurarista e generoso. Honra tradições espirituais e esbate fronteiras musicais. O festival que serve de diálogo entre culturas e religiões de todo o mundo, foi destacado em duas emissões. A segunda, de 18 Janeiro, foi feita a partir de "Hamdulillah: Fes Festival Of World Sacred Music, Vol. I".

17.1.09

emissão de 10 de Janeiro de 2009 - balanço 2008 internacional, parte 2

Parte 2 da passagem por alguma da produção de 2008, com destaque para as compilações.

--- Compilações ---
Klezmatics - I ain't afraid - Rough Guide to Klezmer Revolution
Pimps of Joytime - Bonita - Rough Guide to Latin Street Party

--- Pequeno parênteses para álbuns de originais não destacados a semana passada ---
Group Inerane - Kumi Majagani; Awal September - Guitars from Agadez
Jim Moray - Leaving Australia - Low Culture

--- Compilações ---
Empire Babouka - Nazoki - African Pearls - African Pearls: Rumba Rock
Johnny Boleko et Conga Success - Tambola no Mokili - African Pearls: Rumba Rock
Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou - Gbeti Mdajro - African Scream Contest
T-Fire - Will of the People - Nigeria Disco Funk Special
Bongos Ikwue & the Grooves - You've gotta help yourself - Nigeria Disco Funk Special
Sir Victor Uwaifo - Dododo - Nigeria 70: Lagos Jump
Orchestra Super Mazembe - Gina - Giants of East Africa

Labels:

15.1.09

11 temas, 12 países

Emissão de 11 de Janeiro que contou com o seguinte alinhamento:

1. Fela Kuti – Gentleman - NIGÉRIA
2. Bidinte – Considjio di Garandis - GUINÉ BISSAU
3. Ali Farka Touré & Ry Cooder – Bondê - MALI e ESTADOS UNIDOS
4. Buena Vista Social Club El Carretero - CUBA

5. Omara Portuondo – Cuento para un Niño - CUBA

6. Astor Piazolla – Libertango - ARGENTINA

7. Gotan Project – La Viguela - FRANÇA, ARGENTINA, SUIÇA

8. Kimmo Pohjonnen – Keko - FINLÂNDIA

9. Mahala Rai Banda – Mahalageasca - ROMÉNIA

10. Esma Redzepova & Usnija Jasarova – Romano Oro - MACEDÓNIA

11. Boban Markovic Orkestar – Mundo Cocek - SÉRVIA

10.1.09

emissão de 10 de Janeiro de 2009 - balanço 2008 internacional

No arranque do novo ano, passagem por algumas efemérides na produção do ano velho.

Umalali - Anahi da - The Garifuna Women's Project
Omara Portuondo - O que será - Gracias
Amadou & Mariam - Africa - Welcome to Mali
Issa Bagayogo - Filaw - Mali Koura
Kasai Allstars - Quick as white - In the 7th Moon...
Rokia Traoré - Tounka - Tchamanché
Seun Kuti - Think Africa - Many Things

--- Compilações 2008 ---
Ofo the Black Company - Eniaro - Nigeria Rock Special
Balla et ses Balladins - Touré - The Syliphone Years
Tidiani Koné & Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou - Djanfa Magni - African Scream Contest

Les Amazones de Guinée - Wamato - Wamato
Toumani Diabaté - Djourou Kara Nany - The Mandé Variations

Locução de José Reis e João Torgal

Labels:

9.1.09

Emissão de 4 de Janeiro

Festival de música sagrada de Fez



O festival de música sagrada de Fez (Festival de Fès des musiques sacrèes du monde) é um dos eventos de "world music" mais importantes do mundo. Reúne artistas de todos os cantos do planeta que, durante uma semana, se juntam para interpretar música religiosa. Representa o espírito do islamismo tolerante, pacífico, plurarista e generoso. Honra tradições espirituais e esbate fronteiras musicais. O festival que serve de diálogo entre culturas e religiões de todo o mundo, será destacado em várias edições. A primeira, a de 4 Janeiro, foi feita com base em "Hamdulillah: Fes Festival Of World Sacred Music, Vol. II ".

8.1.09

Emissão portuguesa de 3 de Janeiro de 2008 - balanço 2008 (parte I)

Segunda e última parte da retrospectiva de 2008, no que se refere ao étnico feito em Portugal. A emissão contou parcialmente com a presença do André do Rodobalho para falar um pouco sobre o Festival de Passagem de Ano, realizado no Centro Norton de Matos, numa organização conjunta do próprio Rodobalho e do Tradballs. A sua presença será sempre bem-vinda em emissões futuras do Artesanato Sonoro.
Este foi o alinhamento:

1. Mu & Helena Madeira – Miosótis (Casa Nostra, 2008);

2. Mu – Carrossel (Casa Nostra, 2008);

3. Mu – Oi Na Gori (Casa Nostra, 2008);

4. Melech Mechaya – Zemeri Biffs (Melech Mechaya, 2008);

5. Roda Pé – Mulher da Erva (Pousio, 2008);

6. Pé na Terra – Balada do Sino (Pé na Terra, 2008);

7. Pé na Terra – Sentir (Pé na Terra, 2008);

8. Pé na Terra – Pedrinhas (Pé na Terra, 2008);

9. Fol&ar – Valsas e Mazurkas Para Quê (Fol&ar, 2008);

10. Fol&ar – Tocandare (Fol&ar, 2008);

11. Mandrágora – Picões do Diabo (Escarpa, 2008);

12. Mandrágora & Helena Madeira – Turbilhão (Escarpa, 2008);

13. Mandrágora – Candelária (Escarpa, 2008);

2.1.09

Emissão de 28 de Dezembro


Acordeão

Instrumento construído no século XIX, em Viena, espalhou-se rapidamente, levado que foi, por barco, a praticamente todas as partes do mundo. Teve rápida difusão e implementação e marcou fortemente todas as culturas dos países onde se estabeleceu.

28.12.08

Emissão portuguesa de 27 de Dezembro de 2008 - balanço Portugal 2008 (parte I)

Como anunciado, decorreu neste Sábado a primeira parte do especial dedicado ao balanço da música étnica feita em Portugal durente 2008. Este foi o alinhamento:

1. Deolinda – Movimento Perpétuo Associativo (Canção ao Lado, 2008);
2. Deolinda – Mal por Mal (Canção ao Lado, 2008);

3. Deolinda – Lisboa Não é a Cidade Perfeita (Canção ao Lado, 2008);

4. Cordis – Sede e Morte (Cordis, 2008);

5. Cordis – Caminhos (percurso de vida) (Cordis, 2008);

6. A Naifa – Na Página Seguinte (Uma Inocente Inclinação para o Mal, 2008);

7. A Naifa – Uma Ligeira Indisposição (Uma Inocente Inclinação para o Mal, 2008);

8. A Naifa – Esta Depressão que me Anima (Uma Inocente Inclinação para o Mal, 2008);

9. Double MP – Tango à Deriva (Ictus, 2008);

10. Dead Combo – Sopa de Cavalo Cansado (Lusitania Playboys, 2008);

11. Tucanas & Kumpania Algazarra – Peruano(Maria Café, 2008);

12. Kumpania Algazarra – Donde La Vida Va (Kumpania Algazarra, 2008);

13. Kumpania Algazarra – Liberez le Monde (Kumpania Algazarra, 2008);

14. Kumpania Algazarra – Supercali (Kumpania Algazarra, 2008);

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